
Para muitos utilizadores que adotaram o Linux como sistema operativo principal, a dependência de certas aplicações exclusivas, como o Adobe Photoshop, continua a ser o último obstáculo para abandonar definitivamente o ecossistema da Microsoft. Durante anos, o problema não residia apenas na execução do software, mas sim na impossibilidade de correr o próprio instalador oficial da Adobe Creative Cloud através do Wine, obrigando a soluções complexas que envolviam máquinas virtuais ou a cópia manual de ficheiros.
No entanto, este cenário está prestes a mudar graças a um novo conjunto de correções que promete derrubar esta barreira histórica.
O fim do bloqueio do instalador
A raiz do problema remonta a 2018, altura em que a Adobe alterou o seu instalador para depender de componentes do Internet Explorer, uma tecnologia que o Wine não suportava adequadamente. Isto resultava no bloqueio imediato da instalação, frustrando qualquer tentativa direta de configuração no ambiente Linux.
A solução chega agora pelas mãos de um programador independente, que desenvolveu uma série de "patches" focados em resolver as incompatibilidades de análise de XML e JavaScript que impediam o funcionamento do instalador. Ao tornar o tratamento de dados XML mais permissivo — simulando o comportamento do Internet Explorer em vez da rigidez habitual das bibliotecas do Linux —, estas correções permitem finalmente que o instalador oficial da Adobe inicie e conclua o processo de configuração.
Resultados práticos e o futuro da migração
Os primeiros testes indicam que o Photoshop 2021 oferece a experiência mais estável e fluida com estas alterações. Já as versões mais recentes, como o Photoshop 2025, apresentam resultados mistos, exigindo ainda algum trabalho de otimização. É importante notar que, por enquanto, esta não é uma solução "pronta a usar": as correções ainda não foram integradas na versão estável do Wine, obrigando os utilizadores a compilar o software manualmente a partir do código-fonte.
Esta evolução surge num momento crucial, coincidindo com o aproximar do fim do suporte oficial ao Windows 10. Para muitos profissionais criativos que dependem de ferramentas proprietárias mas procuram alternativas ao sistema da Microsoft, a capacidade de executar a suite Adobe no Linux remove um dos maiores atritos na transição.
Embora existam alternativas de código aberto robustas, como o GIMP ou o Krita, a realidade do mercado laboral impõe frequentemente o uso das ferramentas da Adobe. Para os interessados em testar esta novidade, o código e as instruções de compilação estão disponíveis no repositório do PhialsBasement.












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