
A relação entre a Google e os gestores de websites nem sempre é pacífica, especialmente quando se trata de indexação e do precioso "crawl budget" (orçamento de rastreamento). No entanto, num movimento pouco habitual, a gigante tecnológica decidiu pôr as mãos na massa e contactar diretamente os criadores de plugins para resolver problemas que estavam a afetar a internet à escala global.
A revelação foi feita por Gary Illyes, analista da Google, durante um episódio do podcast Search Off the Record. A equipa de rastreamento da empresa identificou que certos plugins populares do WordPress estavam a criar um caos técnico, desperdiçando recursos tanto da Google como dos proprietários dos sites.
O pesadelo dos parâmetros infinitos
O problema central reside na forma como alguns plugins geram URLs. Quando um utilizador realiza uma ação num site, como adicionar um produto ao carrinho, alguns sistemas criam um novo endereço web com parâmetros adicionais (ex: ?add_to_cart=true). Para o motor de busca da Google, isto parece uma página completamente nova. Se estes parâmetros se acumularem, um único conteúdo pode gerar centenas de URLs duplicados, o que leva o Googlebot a perder tempo a rastrear "lixo" em vez de indexar o conteúdo relevante.
Segundo os dados do relatório de final de ano de 2025 da Google, os "parâmetros de ação" representaram cerca de 25% de todos os problemas de rastreamento reportados. Apenas a navegação facetada (filtros de pesquisa complexos) causou mais dores de cabeça, ocupando 50% da lista de problemas. Juntas, estas duas categorias representam três quartos de todo o desperdício de recursos de rastreamento identificado no ano passado.
A resposta rápida do WooCommerce e o silêncio de outros
Um dos casos de sucesso partilhados por Illyes envolveu o WooCommerce, uma das plataformas de comércio eletrónico mais usadas no mundo. A equipa da Google detetou que o parâmetro de "adicionar ao carrinho" estava a duplicar massivamente os URLs em inúmeras lojas online. Em vez de apenas penalizar os sites, a Google abriu um relatório de erro (bug report) diretamente no repositório do plugin.
A resposta foi exemplar: a equipa do WooCommerce pegou no problema e lançou uma correção rapidamente, resolvendo a falha na fonte. No entanto, nem todos os programadores foram tão recetivos. Illyes mencionou que um plugin comercial de calendário, que gera caminhos de URL infinitos, e outro plugin de parâmetros de ação, simplesmente ignoraram os avisos da Google.
Para quem gere um site, a lição é clara: não se pode confiar cegamente que os plugins tratem da saúde técnica do SEO. A recomendação continua a ser o uso proativo do ficheiro robots.txt para bloquear o rastreamento de URLs com parâmetros desnecessários, evitando que o Googlebot perca tempo onde não deve.












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