
A forma como navegamos na web está prestes a mudar, e desta vez não é apenas para os humanos, mas sim para os agentes inteligentes que começam a povoar a internet. A equipa do Google Chrome anunciou o lançamento de uma versão de pré-visualização do WebMCP (Web Model Context Protocol), um novo padrão desenhado para permitir que os sites comuniquem diretamente com a Inteligência Artificial.
Até agora, quando um agente de IA tentava realizar uma ação num site — como reservar um voo ou adicionar um produto ao carrinho de compras — o processo era, no mínimo, rudimentar. Estes sistemas dependiam frequentemente da análise visual dos pixéis ou do código HTML para "adivinhar" onde carregar, uma técnica suscetível a erros constantes. Com o WebMCP, a gigante tecnológica quer acabar com essa incerteza, criando uma ponte estruturada entre os sites e a IA.
O fim da "adivinhação" para os agentes de IA
A grande inovação trazida pelo WebMCP reside na capacidade de um site publicar explicitamente o que a Google chama de "Tool Contract" (Contrato de Ferramentas). Em vez de deixar a IA a tatear no escuro tentando interpretar o layout de uma página, os programadores podem agora fornecer uma lista clara e estruturada de funções disponíveis.
André Cipriani Bandarra, da Google, explicou que esta tecnologia permite definir ferramentas que dizem aos agentes exatamente como e onde interagir. Segundo o responsável, isto elimina a ambiguidade, seja para preencher um formulário de suporte complexo ou para navegar por dados intrincados, garantindo fluxos de trabalho muito mais rápidos e robustos.
Como funciona o "Contrato de Ferramentas"
Para tornar os sites "prontos para agentes", o WebMCP propõe a utilização de duas novas APIs que funcionam através do navegador, utilizando o navigator.modelContext. Estas interfaces servem como tradutores universais entre a intenção do utilizador e a execução técnica do site:
API Declarativa: Focada em ações padrão que podem ser definidas diretamente em formulários HTML, simplificando interações básicas.
API Imperativa: Destinada a interações mais complexas e dinâmicas que exigem a execução de JavaScript, permitindo operações sofisticadas como a compra de bilhetes com parâmetros variáveis (destino, data, etc.).
Esta abordagem estruturada transforma o navegador numa plataforma onde a IA não é apenas uma observadora passiva, mas sim um participante ativo e preciso.
O futuro do SEO técnico está aqui
A indústria já está a reagir a esta mudança, antecipando um impacto significativo na forma como os sites são construídos e otimizados. Especialistas como Dan Petrovic descreveram o WebMCP como a maior mudança no SEO técnico desde a introdução dos dados estruturados, enquanto Glenn Gabe classificou o anúncio como um "grande negócio" para o futuro da web.
Ao adotar este padrão, os sites deixam de depender da "visão" imperfeita dos bots e passam a oferecer um manual de instruções direto, o que poderá ser determinante para garantir que os teus serviços são corretamente utilizados pelos assistentes virtuais do futuro, conforme detalhado na publicação oficial da Google.










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