
A velha máxima de que "tudo o que é antigo volta a ser novo" parece confirmar-se a cada década que passa. Depois do regresso dos discos de vinil ou das câmaras instantâneas como a Instax Mini Evo, há uma nova peça de tecnologia a fazer o seu caminho de volta ao ciclo das tendências: os auriculares com fios. Numa altura em que o mundo se tornou praticamente sem fios e a maioria dos telemóveis já nem sequer inclui a tradicional entrada de áudio, uma nova geração começa a remar contra a maré, valorizando a simplicidade dos tempos analógicos.
As vantagens práticas de regressar aos cabos
Como acontece com muitas tendências, a cultura das celebridades tem um papel fundamental. Figuras como Anthony Edwards, Steph Curry, Drake, Harry Styles e Zendaya têm sido frequentemente fotografadas a usar equipamentos com cabo. O facto de estas personalidades terem capacidade financeira para comprar os modelos sem fios mais caros do mercado, mas optarem pelos clássicos auscultadores com fio, diz muito sobre este movimento.
Apesar da conveniência indiscutível do formato sem fios em situações como idas ao ginásio ou durante o inverno com casacos pesados, os cabos trazem benefícios que muitos já tinham esquecido. É mais fácil e prático ligar e ouvir sem a constante preocupação de emparelhar dispositivos ou verificar a bateria. Além disso, o áudio com fio proporciona habitualmente uma qualidade de som superior, especialmente se a reprodução for feita a partir de um equipamento que suporte áudio de 16 bits através de um cabo USB-C. Permitem também uma partilha mais simples da música com outras pessoas, o preço é significativamente mais baixo e o risco de os perder é muito menor.
Uma afirmação de estilo e um manifesto contra o excesso tecnológico
Esta moda ganhou tanta força que a revista New York Magazine destacou o tema na sua capa de dezembro de 2025, apresentando figuras como Ben Stiller e Karl-Anthony Towns. Nas redes sociais, contas como a Wireditgirls no Instagram dedicam-se a celebrar mulheres e celebridades que aderiram a esta estética de baixa tecnologia e celebram o regresso deste acessório.

Segundo Shelby Hull, fundadora da referida conta, em declarações à CNN, usar auriculares com fios tornou-se uma verdadeira afirmação. Mostra uma certa indiferença perante a pressão de acompanhar as últimas tendências tecnológicas ou de ostentar dispositivos caros. É uma mensagem positiva que ensina o valor da simplicidade aos mais novos, provando que não é necessário implorar aos pais pelos modelos sem fios mais dispendiosos.
Marcas de topo, como a Apple, continuam a fabricar estes acessórios tradicionais, permitindo aos utilizadores manter a afinidade com as fabricantes sem esvaziar a carteira. Para os mais jovens, influenciados por desportistas como Caleb Williams ou artistas como Charlie XCX, as razões vão muito além da estética. Eles valorizam a segurança de não sofrerem interrupções na ligação, a ausência de baterias descarregadas e a garantia de privacidade, já que não existe o risco de pirataria informática para intercetar conversas privadas. No fundo, é uma demonstração clara de nostalgia por uma época menos complexa, servindo como a fuga perfeita para uma geração que procura ativamente formas de fazer uma desintoxicação digital e viver o momento presente.












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