
O empresário Elon Musk anunciou recentemente que o Grok Imagine, a ferramenta de geração de imagens da sua plataforma X, passará a permitir a criação de conteúdos equivalentes à classificação para maiores de 17 anos. Segundo a publicação feita por Musk, se um conteúdo é aceitável num filme com essa restrição etária, deverá também ser permitido na sua inteligência artificial. Esta decisão surge apenas alguns meses após a rede social ter sido obrigada a aplicar restrições severas devido à propagação de imagens deepfake de cariz sexual.
O cerco regulatório da União Europeia
A postura de Elon Musk surge num momento de grande tensão com os reguladores europeus. A Comissão de Proteção de Dados da Irlanda confirmou o arranque de uma investigação detalhada contra a plataforma X, focada na criação e partilha de imagens íntimas não consensuais de cidadãos europeus, incluindo menores. De acordo com o vice-comissário Graham Doyle, o organismo tem estado em contacto com a empresa desde que os primeiros relatórios sobre as capacidades do Grok vieram a público.
Paralelamente, a Comissão Europeia abriu um inquérito em janeiro, ao abrigo da Lei de Serviços Digitais, para avaliar se o X analisou corretamente os riscos antes de integrar o sistema de IA na rede social. A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, reforçou que a Europa não tolerará a objetificação digital de mulheres e crianças. A pressão estende-se a outros países, com o regulador britânico Ofcom a abrir a sua própria investigação e as autoridades francesas a realizarem buscas nos escritórios da empresa em Paris.
O histórico de restrições e as críticas dos utilizadores
A polémica intensificou-se no final de 2025, quando surgiram dados indicando que o assistente da xAI terá gerado cerca de três milhões de imagens sexualizadas em apenas duas semanas. Como resposta imediata, a plataforma limitou a geração de imagens a assinantes pagos e implementou bloqueios geográficos em países onde este tipo de conteúdo é ilegal. Países como a Indonésia e a Malásia chegaram mesmo a bloquear o acesso à ferramenta por completo.
Apesar das novas promessas de Musk em seguir os padrões da indústria do cinema, muitos utilizadores e especialistas mostram-se céticos. A principal crítica reside no facto de um filme ter realizadores, atores e controlos de idade claros, enquanto um sistema automático de geração de imagens não possui os mesmos mecanismos de responsabilidade. Relatos recentes sugerem que, mesmo com as limitações atuais, continua a ser possível contornar os filtros e criar conteúdos proibidos através das aplicações móveis e web.












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