
A marca de 15 anos de vida da Radeon HD 6990 serve para nos recordar de uma época em que a marca vermelha reinava no desempenho absoluto com designs de duplo processador. Num tempo em que a força bruta não dependia de inteligência artificial ou truques de redimensionamento, este monstro do processamento superou a sua rival direta, exigindo caixas cortadas à medida e uma tolerância enorme ao ruído gerado por ventoinhas industriais.
A era da força bruta e dos chips duplos
Tal como na Fórmula 1 de antigamente, onde os estrondosos motores V10 dominavam a pista antes de cederem lugar aos atuais sistemas híbridos fortemente dependentes de baterias, o hardware informático também teve a sua fase de potência desmedida. A gráfica em questão chegou ao mercado a combinar dois chips Antiles XT de 40 nm da AMD, baseados na arquitetura TeraScale.
Cada um destes processadores gráficos contava com 1536 núcleos a funcionar a 830 MHz, acompanhados por 2 GB de memória GDDR5 a 5 Gbps. Com uma interface de 256 bits para cada processador, a largura de banda total atingia os impressionantes 320 GB/s. Em termos físicos, ocupava apenas duas ranhuras PCIe, o que parece compacto para os padrões de espessura dos dias de hoje, mas os seus 305 mm de comprimento obrigaram muitos entusiastas a cortar pedaços do chassis do computador para a conseguirem instalar.
O consumo energético era igualmente colossal. Com um TDP base de 375W alimentado por dois conectores de 8 pinos, o modo de overclock permitia que a placa consumisse até 450W. Para arrefecer tudo isto, o fabricante utilizou apenas uma ventoinha, resultando num equipamento que soava literalmente como um secador de cabelo industrial quando levado ao limite.
O embate de titãs e o teste do tempo
Na trincheira oposta, a NVIDIA tentou combater a supremacia com a GeForce GTX 590, um equipamento que juntava dois chips da famosa e quente GTX 580. Contudo, para evitar que a estrutura derretesse ou fizesse disparar o quadro elétrico das casas, as frequências tiveram de ser reduzidas de 772 MHz para 607 MHz. A rival também ficou para trás na memória, oferecendo um total de 3 GB contra os 4 GB do modelo concorrente, e registou vários casos de unidades queimadas durante as tentativas de overclock no lançamento.
No campo de batalha dos videojogos, a tecnologia limitava parte de todo este poder. O ganho real dependia da otimização dos títulos para o sistema CrossFire. Em jogos como Metro 2033 ou Alien vs Predator, o modelo de duplo chip da marca vermelha saía vitorioso, enquanto o Crysis 2 favorecia a GTX 590. Além disso, a tecnologia SLI da concorrência apresentava uma sensação de fluidez superior, visto que o CrossFire sofria frequentemente com a quebra de fluidez e solavancos na imagem.
Hoje em dia, a evolução tecnológica coloca estas antigas glórias em perspetiva. Todo este poder, calor e ruído acaba por ser ultrapassado por uma modesta gráfica de entrada de gama de 2022, como a Radeon RX 6400, que consome apenas 55W fornecidos diretamente pela motherboard e consegue ser cerca de 16% mais rápida. Uma simples e popular GTX 1050 Ti também oferece um desempenho quase idêntico a estes antigos pesos pesados do mercado.












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