
A Intel decidiu manter a plataforma Core de 14.ª geração, também conhecida como Raptor Lake Refresh, bem viva no mercado de consumo. A empresa garantiu uma abundância destes processadores e o contínuo suporte a motherboards com compatibilidade para memória DDR4 e DDR5. Segundo avança o Club386, esta estratégia tem um motivo claro: permite à gigante tecnológica direcionar os seus processos de fabrico mais recentes para a produção de chips Xeon focados em centros de dados e servidores, tirando partido do elevado crescimento do setor da inteligência artificial.
O impacto nos preços e a concorrência
Apesar de estes processadores recorrerem a uma litografia mais antiga, isso não se reflete num alívio para a carteira dos consumidores. A indústria tecnológica foca-se atualmente em apresentar margens de lucro sólidas, e a marca já aumentou o preço das suas unidades de processamento por duas vezes apenas este ano, existindo uma terceira subida agendada para maio. Robert Hallock, antigo diretor de marketing da AMD e agora executivo na equipa rival, confirmou que os Raptor Lake continuam a ser uma peça importante na estratégia e estarão amplamente disponíveis nas lojas.
Ainda assim, o custo mantém-se elevado. Um Core i9-14900K, lançado no final de 2023, ronda os 500 euros. Perante estes valores, a atratividade da plataforma é colocada à prova pela concorrência direta. Como termo de comparação, um Ryzen 7 7800X3D pode ser adquirido em plataformas como o AliExpress por pouco mais de 300 euros. Esta diferença de valor deixa orçamento suficiente para investir num kit de memória DDR5, resultando num sistema mais potente e, em muitos casos, mais económico do que a aposta na plataforma concorrente suportada por DDR4.
Uma vida mais longa para o socket LGA1700
A abordagem de prolongar a atual geração acaba por estender significativamente a longevidade do socket LGA1700, que já soma cinco anos no mercado. Ao incentivar a produção de motherboards com design híbrido ou vocacionadas para DDR4, a fabricante evita forçar os utilizadores a uma transição repentina e dispendiosa para novos ecossistemas de hardware.
A nível técnico, os processadores de 14.ª geração utilizam um design monolítico assente no processo de fabrico Intel 7. Em contraste, a nova arquitetura Core Ultra 200 exige nós muito mais avançados e caros da TSMC, nomeadamente de 3 nm, 5 nm e 6 nm. Como estes processos de última geração geram lucros significativamente maiores quando aplicados aos chips profissionais Xeon para alimentar o mercado da inteligência artificial, a empresa prefere não os gastar no mercado de consumo geral. Esta dinâmica explica a aposta contínua nos componentes da geração anterior para os utilizadores domésticos, coincidindo com o fim da produção de vários processadores de gama de entrada por falta de rentabilidade.












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