
A indústria transformadora consolidou-se como o alvo prioritário do cibercrime global durante o ano de 2025. De acordo com os dados apresentados pela Check Point, este setor registou um aumento de 56% nos incidentes de ransomware, forçando empresas a lidarem com sabotagem, paragens operacionais e o roubo deliberado de informação sensível.
A transição de ataques de oportunidade para investidas deliberadas marcou o panorama de segurança no último ano. Os criminosos exploram agora a forte dependência de processos contínuos e a interligação entre os sistemas de tecnologias de informação e os ambientes operacionais. Segundo Rui Duro, responsável da empresa em Portugal, a cibersegurança deve ser encarada como uma prioridade de negócio, uma vez que qualquer interrupção tem impactos financeiros e logísticos imediatos que se propagam por toda a cadeia de valor.
Os fatores que impulsionam o risco operacional
Existem três pilares estruturais que justificam este crescimento agressivo da criminalidade digital nas fábricas. O primeiro prende-se com a utilização de sistemas operacionais legados, que muitas vezes não foram desenhados com defesas modernas. Em segundo lugar, a crescente interdependência entre fornecedores e plataformas de serviços expandiu a superfície de exposição, com os ataques à cadeia de abastecimento a duplicarem face ao ano anterior. Por fim, a democratização do modelo de crime por subscrição permite que grupos criminosos escalem as suas operações com maior rapidez.
Embora os Estados Unidos liderem o número de ocorrências, países como a Alemanha e o Reino Unido também registam níveis elevados de ameaça. Entre os grupos mais ativos destacam-se nomes como Akira e Qilin, que utilizam métodos que vão desde a encriptação de ficheiros até à extorsão baseada na fuga de dados.
Recomendações para reforçar a resiliência digital
Para combater esta vaga de ameaças, é recomendada uma revisão profunda das estratégias de defesa industrial. A implementação de arquiteturas Zero Trust e a segmentação rigorosa das redes são passos fundamentais para impedir a propagação de intrusões. Além disso, o reforço na gestão de credenciais e a adoção de sistemas de autenticação multifator são medidas críticas para blindar os acessos.
A formação dos colaboradores continua a ser uma peça central, especialmente num cenário onde as tentativas de phishing estão a tornar-se mais convincentes através do uso de ferramentas de inteligência artificial. A tendência para 2026 aponta para o aparecimento de campanhas ainda mais rápidas e automatizadas, tornando a proteção digital uma condição indispensável para garantir a confiança e a continuidade das operações fabris.












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