
Um jovem de 23 anos, Kamerin Stokes, foi condenado a 30 meses de prisão nos Estados Unidos após vender o acesso a dezenas de milhares de contas comprometidas da plataforma de apostas desportivas DraftKings. A sentença encerra um capítulo de cibercrime marcado por um esquema massivo de preenchimento de credenciais, mas a audácia do criminoso em continuar as operações ilegais, mesmo após a primeira detenção, chocou as autoridades norte-americanas.
De acordo com o documento oficial divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA, o esquema remonta a novembro de 2022, altura em que o jovem se aliou a outros piratas informáticos para invadir e comprometer quase 68 mil contas de utilizadores.
O ataque que rendeu milhões de euros
O roubo digital foi originalmente orquestrado por Nathan Austad e Joseph Garrison, que utilizaram longas listas de credenciais obtidas através de fugas de dados para penetrar nos sistemas da DraftKings. Após comprometerem a segurança das vítimas, venderam o acesso a terceiros, o que resultou na subtração direta de aproximadamente 600 mil euros de cerca de 1600 utilizadores.
No total, a rede criminosa lucrou mais de 1,9 milhões de euros com a venda de perfis de serviços como a FanDuel e a rede de restaurantes Chick-fil-A. Stokes atuava como um intermediário central, comprando os perfis em grandes lotes para depois os revender no seu próprio espaço na internet, onde geria as transações sob o pseudónimo TheMFNPlug. O enorme impacto deste ataque obrigou a gigante das apostas a reembolsar largas quantias aos seus clientes afetados, uma vez que os fundos foram drenados após a rápida adição de novos métodos de pagamento aos perfis roubados.
A fraude como método para pagar advogados
O detalhe mais caricato de todo o processo ocorreu após a primeira detenção de Stokes. O jovem declarou-se culpado e foi libertado sob caução enquanto aguardava a sentença definitiva do tribunal. Ignorando as restrições da sua liberdade condicional, decidiu reabrir a sua plataforma de vendas ilícitas e adicionou-lhe o lema de que a fraude é divertida.
Segundo a acusação, o pirata informático admitiu gerir este tipo de lojas há três anos e confessou que retomou as operações criminosas com o objetivo de angariar dinheiro para pagar as despesas dos seus próprios advogados. Esta atitude de provocação levou à sua imediata recondução à custódia federal. Para além da pena de prisão efetiva e de três anos de liberdade supervisionada, Stokes foi condenado a pagar uma restituição superior a 1,25 milhões de euros, somando-se ainda a perda de aproximadamente 119 mil euros em lucros confiscados.












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