
Dois cidadãos norte-americanos foram condenados a penas pesadas de prisão por ajudarem o governo da Coreia do Norte a infiltrar falsos trabalhadores informáticos em dezenas de empresas de topo nos Estados Unidos. Segundo o comunicado oficial divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA, a operação assentava na criação e manutenção de "quintas de portáteis" (laptop farms) para contornar as restrições geográficas, fazendo com que os trabalhadores parecessem estar a viver e a trabalhar em território americano.
Kejia Wang e Zhenxing Wang, ambos residentes no estado de Nova Jérsia, vão cumprir penas de sete anos e meio e nove anos de prisão, respetivamente. O esquema rendeu cerca de 4,6 milhões de euros (5 milhões de dólares) à Coreia do Norte e baseou-se no roubo de identidade de mais de 80 cidadãos norte-americanos. Apoiados nestas identidades falsas, os operacionais conseguiram ser contratados remotamente por mais de cem corporações, incluindo várias empresas que figuram na prestigiada lista Fortune 500.
O perigo além do salário ao final do mês
Ao conseguirem aceder à folha de pagamentos destas gigantes, os falsos funcionários não se limitavam a amealhar dinheiro. Nalguns casos reportados pelas autoridades, a sua posição privilegiada dentro das redes corporativas permitiu-lhes desviar códigos-fonte e segredos comerciais. Um dos exemplos citados envolveu o roubo de dados confidenciais, sob controlo estrito de exportação, a uma empresa de IA sediada na Califórnia.
O papel dos dois americanos agora condenados envolvia hospedar a infraestrutura física. Kejia Wang supervisionava ativamente centenas de computadores ligados de forma remota, enquanto Zhenxing albergava dezenas de máquinas na sua própria casa. Além do suporte técnico, a dupla e outros parceiros criaram empresas de fachada e contas bancárias para canalizar os fundos para o estrangeiro, tendo recebido perto de 650 mil euros (700 mil dólares) pelo serviço prestado à rede.
A estratégia invulgar para travar a ameaça
O governo dos Estados Unidos anunciou também recompensas até 4,6 milhões de euros por informações úteis sobre outros nove indivíduos alegadamente envolvidos neste grupo. Este caso insere-se num plano muito mais vasto de fraude da Coreia do Norte, que recorre a empregos falsos e a roubos massivos de criptomoedas (mais de 1,8 mil milhões de euros só no ano passado) para financiar o seu regime e o desenvolvimento de armamento, contornando o forte isolamento económico imposto pelas sanções internacionais.
Para tentar travar a entrada destes currículos fraudulentos, muitas empresas de tecnologia e os próprios recrutadores começaram a adotar uma estratégia curiosa: pedir aos candidatos suspeitos que insultem publicamente Kim Jong-Un durante as entrevistas. Num caso que se tornou viral recentemente, os recrutadores pediram a um candidato que chamasse "porco gordo e feio" ao líder norte-coreano. Visto que tal ato constitui um crime severo no país de origem, o candidato hesitou prolongadamente antes de simplesmente desligar a chamada.












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