
O combate à pirataria de conteúdos audiovisuais em Espanha atingiu um novo patamar de severidade com uma decisão judicial que está a ser considerada histórica no país vizinho. Pela primeira vez num caso desta natureza, os responsáveis por uma rede de distribuição ilegal de sinal de televisão foram condenados a penas de prisão que implicam o ingresso efetivo na cadeia, sem possibilidade de suspensão da pena.
A Audiência Provincial de Málaga ditou a sentença contra os administradores do grupo conhecido como "Servicio-IPTV", que operava através de vários websites para comercializar o acesso ilícito a canais pagos. A decisão marca um ponto de viragem na jurisprudência espanhola, endurecendo a resposta penal contra quem lucra com a violação de direitos de autor.
O negócio dos 8.000 canais por 50 euros
De acordo com a investigação, o grupo criminoso montou uma estrutura organizada que oferecia listas de acesso a mais de 8.000 canais de televisão, tanto nacionais como internacionais. Estes serviços, alojados em plataformas como "servicio-iptv" ou "servicioiptvpremium", permitiam aos utilizadores visualizar conteúdos protegidos, incluindo o sinal da Movistar+, sem pagar as devidas licenças aos operadores legítimos.
O modelo de negócio baseava-se em preços altamente competitivos face ao mercado legal, com uma tarifa de referência a rondar os 50 euros anuais por utilizador. Além da subscrição anual, o grupo disponibilizava também pacotes mensais e trimestrais, gerando um volume de receitas considerável à custa da propriedade intelectual alheia.
A operação policial, conduzida pela Unidade Central de Ciberdelincuencia da Polícia Nacional espanhola, foi desencadeada após uma denúncia inicial da Telefónica. À ação judicial juntaram-se posteriormente outras entidades de peso do setor audiovisual, agrupadas na ADIVAN, que representa gigantes do entretenimento como a Sony Pictures e a The Walt Disney Company.
Prisão efetiva: um aviso aos navegantes
O aspeto mais relevante desta condenação reside na impossibilidade de suspensão da pena de prisão. Embora os acusados tenham reconhecido os factos e aceitado a pena solicitada pelo Ministério Público — o que resultou numa sentença de conformidade —, o tribunal determinou que a gravidade dos crimes e o lucro obtido exigem o cumprimento efetivo da pena atrás das grades.
Até agora, era comum que condenados sem antecedentes criminais em processos semelhantes vissem as suas penas suspensas. No entanto, o juiz sublinhou o alcance económico dos danos causados e o impacto significativo nos direitos dos titulares dos conteúdos para justificar a medida mais pesada. Além dos três anos de prisão, foi fixada uma indemnização civil a favor da Telefónica num valor estimado de 80.000 euros, além de multas adicionais e o encerramento definitivo dos serviços de IPTV envolvidos.
Conforme detalhado pelo Atlántico Hoy, esta sentença envia uma mensagem clara de que as autoridades espanholas estão dispostas a aplicar a lei com todo o rigor para proteger a propriedade intelectual, tratando a pirataria digital como um crime grave com consequências reais e imediatas.










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