
A escalada de tensão no Médio Oriente está a fazer-se sentir de forma brutal nos mercados internacionais. O barril de petróleo West Texas Intermediate (WTI), que serve de referência aos Estados Unidos, bem como o Brent, a principal referência para o mercado europeu, quebraram a barreira dos 100 dólares pela primeira vez desde julho de 2022.
Esta segunda-feira de madrugada, a cotação chegou mesmo a ultrapassar os 118 dólares, o equivalente a cerca de 102 euros. O WTI registou um salto de 30,04% para os 118,21 dólares, enquanto o Brent do Mar do Norte acompanhou a tendência com uma subida de 27,54%, fixando-se nos 118,22 dólares por barril. Já durante a semana passada, os aumentos tinham sido na ordem dos 36% e 28%, respetivamente.
O impacto imediato nas bombas portuguesas
Como seria de esperar, este abalo global reflete-se de imediato na carteira dos condutores em Portugal. Abastecer o carro esta semana tornou-se significativamente mais caro, com os postos de abastecimento a atualizarem as suas tabelas com subidas bastante expressivas.
O gasóleo sofreu um agravamento de 19 cêntimos por litro, enquanto a gasolina registou um aumento de sete cêntimos. O cenário para os veículos a gasóleo poderia ter sido ainda mais severo, uma vez que a previsão inicial apontava para uma escalada de 25 cêntimos. No entanto, o Governo avançou com um desconto extraordinário no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) para atenuar o choque. A gasolina ficou de fora desta medida de apoio por não ter ultrapassado a margem dos 10 cêntimos de aumento.
Conflito no Médio Oriente dita o ritmo dos mercados
A raiz desta inflação galopante reside no agravamento do conflito no Médio Oriente. O mercado reagiu fortemente após o ataque de Israel e dos Estados Unidos ao Irão, ocorrido a 28 de fevereiro. Em consequência destes atos, verificou-se o encerramento do estreito de Ormuz, uma via marítima vital por onde transitam diariamente cerca de 20% de toda a produção global de petróleo e perto de 20% do gás natural liquefeito.
Em resposta a esta situação, o Irão encerrou a passagem e iniciou ataques de retaliação focados em alvos israelitas, bases militares norte-americanas e outras infraestruturas. O conflito alastrou-se de forma rápida a vários países da região, com impactos registados na Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. A forte instabilidade também já provocou incidentes com projéteis iranianos em Chipre e na Turquia.












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