
O ano de 2025 foi marcado por contrastes extremos no universo dos computadores de secretária. De acordo com os dados mais recentes partilhados pela Jon Peddie Research, a balança do mercado de placas gráficas dedicadas inclinou-se de forma quase absoluta. A NVIDIA encerrou o último trimestre do ano a dominar cerca de 94% da quota de mercado. Do outro lado da barricada, a AMD registou o seu pior nível de sempre neste segmento, caindo para uns expressivos 5%.
O impacto da série RTX 50 no mercado global
O mais curioso destes números é que o fosso entre as duas gigantes não se deveu a uma contração nas vendas gerais. Pelo contrário, 2025 revelou-se o segundo melhor ano da década para a venda de hardware gráfico dedicado, com 44,28 milhões de unidades expedidas. Este valor representa um salto notório face aos 34,7 milhões registados no ano anterior.
A fatia de leão deste sucesso é atribuída ao lançamento da linha GeForce RTX 50, que cimentou o poderio da marca verde logo no primeiro trimestre e ditou a tendência até ao fecho do ano. Para a fabricante das Radeon, contudo, o cenário de crescimento global não trouxe qualquer benefício. As suas vendas passaram de uma quota de 8% no primeiro trimestre para os referidos 5% na reta final, com as remessas trimestrais a caírem de 740 mil para cerca de 570 mil unidades. O lançamento das placas RX 9000 não foi suficiente para cativar os consumidores, uma vez que não se destacaram por um desempenho superior face à concorrência direta, nem chegaram às lojas com um preço apelativo capaz de compensar essas lacunas.
Fatores de travagem e a posição da Intel
Apesar do ano muito positivo em termos globais, o último trimestre de 2025 começou a dar alguns sinais de fadiga no setor, com uma quebra de 4,4% nas remessas face ao trimestre anterior, mesmo coincidindo com a tradicional época festiva.
O aumento do preço da memória DRAM teve um peso direto no custo final dos computadores e dos próprios componentes, abrandando o ritmo de compras dos jogadores. Além disso, as placas dedicadas de secretária enfrentam uma pressão crescente dos portáteis mais acessíveis, que chegam equipados com gráficos integrados cada vez mais competentes para correr jogos de forma fluida. O custo da memória GDDR e as questões relacionadas com arancéis também impulsionaram o preço dos computadores portáteis para cima com a entrada em 2026.
No meio desta autêntica luta a dois, a Intel continua sem conseguir descolar e afirmar o seu espaço. A marca manteve-se estagnada com apenas 1% de quota durante o quarto trimestre, mesmo com a introdução dos novos modelos Arc Battlemage, o que demonstra que a sua presença ainda é puramente residual e focada em nichos específicos.
O que reserva 2026?
A fabricante dos processadores Ryzen mantém-se muito relevante no campo do gaming devido às suas competentes soluções de gráficos integrados, mas isso não atenua o rude golpe no segmento mais valioso e representativo para o jogador de computador tradicional.
Para agravar a situação atual, os analistas preveem que o mercado de gráficas dedicadas para desktop possa encolher cerca de 10% durante 2026. Isto significa que a recuperação terá de ser feita num terreno mais pequeno e ainda mais difícil, exigindo esforços redobrados para voltar a roubar quota de mercado a uma rival que parece não ter travões.












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