
A Câmara da Guarda decidiu suspender os prazos administrativos associados a vários serviços municipais, como consequência direta do ataque informático que atingiu a autarquia no dia 12 de fevereiro. Segundo avançou o Correio da Manhã, a medida visa proteger os munícipes que se viram impedidos de dar o normal seguimento aos seus processos devido à paralisação dos sistemas informáticos.
Recuperação gradual e a coincidência com as buscas da PJ
A suspensão foi oficializada através de um despacho do presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, datado de 04 de fevereiro e divulgado na recente reunião quinzenal do executivo. O autarca esclareceu aos jornalistas que a contagem dos prazos, interrompida desde o início do apagão informático, será retomada à medida que os respetivos serviços forem restabelecidos. De momento, a autarquia encontra-se numa fase de reposição gradual, com os balcões de atendimento presencial a funcionarem já com normalidade, quinze dias após o incidente.
Curiosamente, o ataque informático que forçou o encerramento preventivo de todas as comunicações da autarquia com o exterior ocorreu no exato dia em que a Polícia Judiciária realizou buscas nos Paços do Concelho e na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço. Esta operação visava a recolha de provas para um inquérito relacionado com suspeitas de participação económica em negócio e prevaricação por parte de titular de cargo político.
Oposição critica falta de transparência
Apesar de concordar com a necessidade de suspensão dos prazos, a oposição não poupou críticas à gestão da crise. João Prata, vereador da coligação PSD/CDS/IL, apontou a falta de informação regular aos cidadãos sobre a evolução da situação. António Monteirinho, eleito pelo PS, foi mais duro nas palavras, classificando o cenário como um verdadeiro apagão de informação.
Em resposta, Sérgio Costa, eleito pelo movimento Nós, Cidadãos!, lamentou a postura da oposição, sublinhando que noutros municípios afetados por problemas semelhantes as forças políticas ajudaram na resolução, enquanto na Guarda o foco parece ser apenas deitar abaixo o trabalho desenvolvido num contexto classificado como um caso de força maior.
A exigência pela reabertura da Linha da Beira Baixa
Durante a mesma ocasião, o presidente revelou que a Comunidade Intermunicipal Região das Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE) vai instar as entidades competentes a avançarem com a reabertura integral da Linha da Beira Baixa. Sérgio Costa expressou a incompreensão dos autarcas face ao prazo de meio ano estipulado pela Infraestruturas de Portugal, contrastando essa demora com a rápida resolução do problema que afetou a autoestrada A1, resolvido em poucos dias.
A CIMRBSE criticou ainda a ausência de transbordo rodoviário para os passageiros habituais nas ligações entre a Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco. Refira-se que a Câmara da Covilhã, liderada por Hélio Fazendeiro do PS, já havia aprovado por unanimidade, a 6 de março, uma moção a exigir medidas mitigadoras imediatas ao Governo e à Infraestruturas de Portugal para apoiar os milhares de cidadãos afetados pela interrupção do serviço ferroviário.












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