
O renovado Zeekr 007 GT, recentemente revelado em documentos regulamentares, deverá sofrer um aumento de preço entre 640 e 1025 euros quando for lançado no segundo trimestre de 2026. Segundo informações avançadas pelo Mydrivers, este ajuste surge no meio de uma escalada de custos nos chips semicondutores e nas baterias de lítio. Representantes do apoio ao cliente da marca confirmaram a probabilidade do aumento, embora os detalhes finais das tabelas de preços ainda não estejam totalmente fechados.
A guerra pelos componentes e o impacto da tecnologia
As razões para esta subida prendem-se com uma dupla pressão nos custos da indústria automóvel. O crescimento explosivo do setor da inteligência artificial aumentou drasticamente a procura por chips de armazenamento, o que inflacionou imediatamente os preços cobrados às fabricantes de carros. Em simultâneo, as incertezas na mineração de lítio levaram a uma escassez na oferta de baterias de energia e ao consequente aumento dos seus custos.
A isto junta-se a evolução técnica do próprio veículo. O novo Zeekr 007 GT apresenta atualizações significativas, incluindo a passagem de uma arquitetura de alta tensão de 800V para 900V. Além disso, a versão atualizada vai integrar o chip de condução assistida Drive Thor-U da Nvidia, equipado com memória DDR5X. Este componente específico encontra-se com uma oferta particularmente limitada, agravando a pressão sobre a produção e os orçamentos. Dados da empresa de análise TrendForce indicam que os preços da DDR5 utilizada em automóveis já dispararam 300% desde a segunda metade de 2025.
Mais marcas acompanham a tendência de subida
O ajuste de preços não é um caso isolado da Zeekr, cujo modelo original lançado em abril de 2025 arranca nos cerca de 26 mil euros. A Exeed, marca premium da Chery, tornou-se a primeira fabricante a anunciar publicamente aumentos de preço em 2026, subindo o valor da edição ET5 210 Laser Radar Intelligent Luxury em cerca de 640 euros. A FAW Bestune seguiu o mesmo caminho, aplicando aumentos que variam entre os 250 e os 640 euros no seu modelo Yueyi 03.
De acordo com executivos do setor, a pressão estende-se muito além dos componentes informáticos. Os preços do carbonato de lítio dispararam de cerca de 9600 para quase 21800 euros por tonelada, enquanto o cobre, o alumínio e outros metais preciosos também registaram subidas expressivas. A combinação de disrupções na cadeia de abastecimento global com o aumento acelerado da produção de veículos elétricos piorou o desequilíbrio do mercado.
O presidente da Voyah, Lu Fang, aconselhou mesmo os consumidores a comprarem carro o mais rapidamente possível. O responsável explicou que os custos crescentes das matérias-primas, as mudanças nos padrões de fornecimento e a competição direta com a indústria da inteligência artificial por recursos essenciais vão inevitavelmente refletir-se nos valores exigidos ao cliente final.
Analistas sublinham que apenas os chips de armazenamento estão a adicionar entre 130 e 380 euros ao custo de cada veículo de nova energia, um valor que é suficiente para apagar por completo a margem de lucro em modelos convencionais e opções premium de entrada. Especialistas descrevem a situação atual não como uma simples escassez, mas como uma autêntica guerra de recursos. A memória HBM, altamente procurada para inteligência artificial, oferece às fabricantes margens de lucro na ordem dos 65%, o que é muito superior ao praticado na indústria automóvel, tornando os carros numa prioridade menor para quem produz os chips.
A agência UBS já deixou o aviso de que esta falta de componentes poderá começar a perturbar a produção automóvel a nível mundial logo a partir do segundo trimestre deste ano, afetando de forma mais severa as fabricantes de elétricos que dependem fortemente de tecnologias avançadas para os seus sistemas.












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