
Segundo as informações avançadas pelo South China Morning Post, o diretor comercial da Seagate, Ban-Seng Teh, indicou que os aumentos de preços no setor do armazenamento se tornaram o novo normal. O mercado atravessa atualmente um superciclo impulsionado pela procura desenfreada dos centros de dados para ferramentas de inteligência artificial, quebrando os padrões históricos de recuperação a que a indústria tecnológica estava habituada.
De acordo com o executivo, este ciclo é bastante incomum porque o mercado sempre alternou entre períodos de escassez e de excesso de oferta, sendo agora difícil prever se esta tendência de alta se vai prolongar indefinidamente.
O impacto da inteligência artificial no mercado
A fabricante não está imune à pressão causada pela subida em flecha dos custos da memória. Ban-Seng Teh confirmou que a empresa já sente os efeitos diretos do encarecimento da DRAM, embora o seu consumo interno seja modesto quando comparado com os fabricantes de computadores ou gigantes que operam os grandes centros de dados.
Dados da TrendForce apontam que os preços de contrato da DRAM para servidores registem um aumento na ordem dos 90% no primeiro trimestre de 2026, marcando a maior subida trimestral da história. A estimativa inicial apontava para uma subida de 55% a 60%, mas o agravamento do desequilíbrio entre a oferta e a procura forçou uma revisão em alta, à medida que os fornecedores de serviços na nuvem antecipam dezenas de encomendas para garantir os seus componentes. Os preços da DRAM para o mercado de consumo (PCs) também deverão mais do que duplicar no mesmo período.
Custos logísticos e a nova geração de discos
Os componentes eletrónicos não são a única dor de cabeça para a gigante do armazenamento. A volatilidade dos preços do petróleo, provocada pelo recente conflito no Médio Oriente, levou o barril de crude a atingir valores próximos dos 120 dólares, o registo mais alto dos últimos quatro anos, antes de recuar novamente para a casa dos 100 dólares. Esta flutuação está a complicar a logística global, obrigando a Seagate a rever ativamente as rotas de envio dos seus equipamentos para lidar com a crise.
Apesar destes obstáculos financeiros, a empresa continua a beneficiar da mesma onda de procura gerada pela IA que está a inflacionar os preços. O crescimento anual na procura por armazenamento de dados situa-se agora na casa dos 20% a 25%, ultrapassando largamente as previsões cautelosas de há cinco anos.
Para dar resposta a este volume colossal de informação, a indústria tem de inovar na densidade de gravação. A fabricante começou este mês a enviar a sua nova plataforma Mozaic 4+, que utiliza tecnologia de gravação magnética assistida por calor (HAMR), para dois fornecedores de serviços na nuvem, com capacidades que atingem os 44 TB por unidade. Com a capacidade de produção de discos rígidos da empresa já totalmente alocada até ao final de 2026 e com acordos de fornecimento estendidos até 2027, quem procura comprar novos discos não deve esperar por um alívio nos preços tão cedo.












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