
A guerra no Irão e o consequente bloqueio do Estreito de Ormuz provocaram um forte impacto no mercado energético global, com o preço do barril de Brent a disparar para lá dos 100 euros. Como detalhado num relatório da Euronews, esta interrupção afeta cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo, gerando uma onda de aumentos acentuados nos postos de combustível em todo o continente europeu e originando reações distintas por parte de cada governo.
O impacto direto na carteira dos condutores
O salto no valor do Brent, que passou da casa dos 70 dólares para mais de 100 euros em poucos dias, fez-se sentir de imediato. A par deste aumento, o preço do gás natural na Europa registou também um salto expressivo de 60% desde o início do conflito.
A fatura mais pesada incidiu sobre o gasóleo. Vários países assinalam agora preços acima dos 2 euros por litro. Em Portugal, o gasóleo sofreu um aumento de 17,5%, enquanto em Espanha a subida bateu nos 34,3%. Na Alemanha, a gasolina passou de 1,82 euros para 2,16 euros por litro, o que representa um encarecimento de quase 18% em apenas duas semanas. Em Itália, os valores atuais já refletem os apoios estatais, sem os quais a gasolina estaria nos 1,87 euros e o gasóleo atingiria os 2,1 euros.
Medidas avulsas: de cortes no IVA a limites de preço
Perante a escalada constante desde 28 de fevereiro, os governos avançaram com diferentes planos de contingência. O Governo de Pedro Sánchez, em Espanha, aprovou o pacote mais avultado, avaliado em 5.046 milhões de euros e em vigor até 30 de junho de 2026. A principal medida é a descida do IVA da energia de 21% para 10%, o que deve baixar a fatura da luz em 13% e tornar os combustíveis 30 cêntimos mais baratos por litro. O país, que beneficia de ter mais de 60% da sua energia gerada por fontes renováveis, vai ainda libertar 11,5 milhões de barris das suas reservas estratégicas.
Por cá, o Governo de Luís Montenegro optou por uma abordagem focada na tributação rodoviária. Foi introduzida uma redução temporária de 3,55 cêntimos por litro no imposto sobre o gasóleo, com o intuito de devolver a receita extra de IVA gerada pelos aumentos, uma medida ativada assim que os preços subiram mais de 10 cêntimos.
A Alemanha, através da ministra da Economia, Katharina Reiche, apresentou uma proposta de lei para impedir que os postos de combustível alterem os preços mais do que uma vez por dia. Já a Áustria adotou uma lógica semelhante, restringindo os aumentos a apenas três vezes por semana. A Hungria foi mais extremada e o primeiro-ministro Viktor Orbán estabeleceu um teto máximo de 1,54 euros para a gasolina 95 e 1,59 euros para o gasóleo, aplicável em exclusivo a veículos com matrícula húngara.
Numa posição mais conservadora encontram-se países como a Polónia e a França. O Governo polaco optou por não realizar cortes fiscais profundos, alertando para os riscos de instabilidade do mercado, enquanto em França a ação incidiu sobretudo num limite de preços garantido pela TotalEnergies e em esforços diplomáticos liderados por Emmanuel Macron.
A resposta de Bruxelas à crise energética
A nível comunitário, a União Europeia procura formas de mitigar o choque no mercado. Dan Jørgensen, comissário da Energia, indicou que estão em estudo medidas temporárias de emergência que não travem a transição para energias limpas. Para acalmar o setor, foi dada a indicação aos Estados-membros para reduzirem a meta de armazenamento de gás natural para 80% da capacidade, um valor 10 pontos percentuais abaixo dos objetivos oficiais da União Europeia. A evolução desta crise ficará intimamente ligada à duração do bloqueio no Estreito de Ormuz.












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