
A SpaceX de Elon Musk começou a enviar notificações por email aos subscritores da Starlink em Portugal com novidades que não estão a cair nada bem na comunidade. A empresa anunciou uma reestruturação profunda nos tarifários do serviço de internet por satélite, que resulta em limites de velocidade mais apertados e, nalgumas modalidades, num agravamento da fatura mensal. A mensagem enviada refere que os novos limites devem continuar a satisfazer as necessidades dos utilizadores, mas a realidade dos números conta uma história diferente.
Menos velocidade por um preço mais elevado
As alterações chegam num momento particularmente sensível. Após a passagem das tempestades Kristin e Leonardo, que provocaram sérios danos nas infraestruturas de telecomunicações fixas e móveis em território nacional, a dependência da Starlink cresceu significativamente. Contudo, a "prenda" da SpaceX para os utilizadores portugueses é amarga: o plano que antes oferecia velocidades até 250 Mbps por cerca de 23,58 euros saltou para os 29 euros mensais, mas com a velocidade máxima limitada a apenas 100 Mbps. Na prática, trata-se de uma tesourada de 60% na performance por um custo superior.
Para quem utilizava o plano Residencial de 400 Mbps, a velocidade máxima será agora cortada para metade (200 Mbps). Embora neste caso a mensalidade tenha sofrido uma redução simbólica de um euro, passando para os 39 euros, quem pretender manter o desempenho original de 400 Mbps será forçado a migrar para o novo plano Residencial Max, que tem um custo de 59 euros por mês. Esta reestruturação, que começou a ser implementada globalmente no início de 2026, está a gerar uma onda de descontentamento em redes como o Reddit e o X.
A fatura energética e a concorrência no horizonte
Embora a SpaceX prometa uma experiência capaz de substituir a fibra ótica, existem pormenores técnicos que convém não ignorar. O terminal da antena da Starlink consome mais de 100 watts em funcionamento contínuo, um valor astronómico quando comparado com os 5 a 10 watts consumidos por um router de fibra convencional. Além disso, as latências continuam a ser superiores às das ligações físicas, o que pode transformar uma videochamada ou uma sessão de jogo online num verdadeiro exercício de paciência.
Para quem está insatisfeito com estas novas regras, resta a cartada da negociação. Vários utilizadores relatam que, ao iniciarem o processo de cancelamento do serviço após receberem o aviso, conseguiram obter um desconto imediato de 20% na mensalidade como estratégia de retenção da empresa. No que toca a alternativas, o mercado aguarda com expectativa a entrada da Amazon com o seu serviço Leo, que promete ligações até 1 Gbps. Por agora, a única alternativa disponível em Portugal é a rede Konnect da Eutelsat, embora com velocidades e latências menos competitivas.












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