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Hacker

A polícia norueguesa (Kripos) revelou a detenção de 28 homens em sete países, no âmbito de uma operação internacional contra a partilha de material de abuso sexual infantil. O detalhe mais surpreendente desta ação é a forma como as autoridades conseguiram identificar os suspeitos: através do rastreio de pagamentos efetuados com a criptomoeda Monero, historicamente conhecida por garantir o anonimato dos seus utilizadores.

Segundo a informação detalhada pela Kripos no seu site oficial, os indivíduos utilizavam o Monero para comprar o acesso a vários fóruns na dark web que continham o material ilegal.

O fim do anonimato absoluto

A grande revelação deste caso prende-se com a tecnologia empregue pela agência norueguesa. A Kripos afirmou ter desenvolvido, em 2025, um método que permite rastrear a utilização de Monero em situações específicas. Embora a agência não tenha revelado o funcionamento técnico da ferramenta, confirmou que a mesma foi crucial para identificar as pessoas que pagaram pelo acesso às plataformas ilícitas.

Durante muito tempo, o Monero foi encarado pelos criminosos como uma alternativa de pagamento consideravelmente mais privada do que o Bitcoin. Esta operação não dita que a encriptação da moeda esteja universalmente comprometida ou que todas as transações sejam públicas, mas prova que as autoridades continuam a criar táticas direcionadas para combater o crime suportado por moedas de privacidade. Para os utilizadores da dark web que confiam no anonimato destas moedas, a mensagem é direta: falhas de segurança operacional, padrões de pagamento e o cruzamento de dados com dispositivos apreendidos podem ser suficientes para criar um rasto identificável.

Esforço coordenado em vários países

A operação decorreu no início de junho e contou com o apoio e coordenação da Europol e da Eurojust. As detenções espalharam-se por uma vasta rede de países, abrangendo a Noruega, Suécia, Suíça, Canadá, República Checa, Polónia e Alemanha. Adicionalmente, os investigadores conseguiram identificar dois suspeitos de venderem o material de abuso, nenhum dos quais reside na Noruega.

Ao longo das buscas, a polícia apreendeu mais de 460 itens, incluindo dispositivos eletrónicos, suportes de armazenamento, carteiras de criptomoedas, drogas e grandes quantidades de substâncias dopantes. No caso concreto da Noruega, foram identificadas duas pessoas, o que resultou na detenção de um homem na casa dos 30 anos, natural da região de Trøndelag. Durante as intervenções, as autoridades tiveram ainda de implementar medidas de proteção para três crianças que se encontravam presentes nos locais revistados.

A investigação continua ativa e as autoridades confirmam que existem muitos suspeitos envolvidos, sendo esperadas mais detenções e potencialmente em mais países.

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