
A Meta planeia iniciar a produção das versões mais recentes do seu chip dedicado à inteligência artificial já no próximo mês de setembro, de acordo com um memorando interno a que a Reuters teve acesso. A estratégia da tecnológica foca-se em baixar os elevados custos operacionais numa altura marcada por uma forte escassez de componentes no setor.
A empresa liderada por Mark Zuckerberg está a trabalhar em parceria com a Broadcom no design do hardware, mas entregou o fabrico à TSMC. Para compor estes sistemas, a gigante das redes sociais conta ainda com armazenamento da Sandisk, fibra ótica da Sumitomo Electric e memória RAM da Samsung. Pelo menos um destes novos chips já ultrapassou a fase de testes, que decorreu num período de cerca de seis semanas.
Expansão do programa MTIA e a arquitetura modular
Estas novidades integram o programa Meta Training and Inference Accelerator (MTIA), detalhado pela empresa em março. Alguns dos quatro novos chips desenvolvidos já se encontram em utilização, enquanto outros serão implementados ainda este ano e no próximo. A Meta optou por uma arquitetura modular, permitindo que cada geração construa sobre a anterior. Esta escolha visa acomodar a rápida evolução das exigências computacionais da inteligência artificial até que as unidades entrem na linha de produção.
O objetivo passa por aplicar os chips MTIA no treino de modelos para os algoritmos de recomendação e classificação das suas redes sociais, bem como noutras tarefas de inferência. Embora a produção destes componentes ajude a empresa a poupar na aquisição de GPUs da NVIDIA e AMD, a Meta continuará a investir verbas avultadas nestes fornecedores tradicionais.
Corrida global pela capacidade de processamento
O investimento na capacidade de cálculo tem sido uma prioridade máxima. Apenas este ano, a Meta previu despesas de capital na ordem dos 125 mil milhões a 145 mil milhões de dólares, com uma grande fatia destinada à inteligência artificial. Para suportar os seus novos modelos da série Muse Spark, a empresa tem assinado vários acordos internacionais para centros de dados e fornecimento de energia, planeando implementar 7 gigawatts de capacidade computacional em 2026 e o dobro no ano seguinte.
Esta procura por independência e redução de custos é uma tendência crescente no mercado. Para além da Meta, que produz o seu próprio hardware desde 2023, também a Amazon e a Google desenvolvem processadores internos. Ao mesmo tempo, outras gigantes tecnológicas movem-se neste cenário competitivo: a OpenAI revelou recentemente um processador de inferência desenvolvido com a Broadcom, e a Anthropic pondera a criação de chips próprios em conjunto com fabricantes sul-coreanos.












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