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smartphone antigo em pilha de dispositivos

A GSMA revelou durante o Mobile World Congress que se encontra a colaborar com várias operadoras de telecomunicações de renome no continente africano, incluindo empresas como a Airtel, MTN Group, Orange, Vodafone, Axian Telecom e Ethio Telecom. O objetivo desta parceria passa por implementar programas-piloto focados no lançamento de smartphones 4G com um custo a rondar os 40 dólares (cerca de 35 euros). A iniciativa, inicialmente divulgada no evento homólogo em Kigali, no Ruanda, pretende levar o acesso à internet a mais de 20 milhões de utilizadores em países como a Nigéria, Tanzânia, Etiópia, República Democrática do Congo, Ruanda e Uganda.

A ambição de ligar milhões à internet

Este projeto faz parte da Handset Affordability Coalition promovida pela GSMA. Atualmente, a coligação já atraiu mais de 15 fabricantes de equipamentos móveis, sendo que sete destes já demonstraram um interesse formal no desenvolvimento de terminais direcionados para esta faixa de preço bastante contida.

Apesar do entusiasmo, Alix Jagueneau, responsável de assuntos externos da associação, sublinha que a meta dos 30 a 40 dólares é, para já, uma ambição baseada em estudos de viabilidade. O preço final para o consumidor não está garantido e continuará dependente de vários elementos, tais como os acordos comerciais em fase de negociação, as políticas fiscais de cada país e as opções de financiamento. De acordo com a organização, espera-se que os primeiros protótipos surjam ainda este ano, com a chegada aos consumidores a acontecer potencialmente no final de 2026.

Os entraves económicos e o peso dos impostos

Colocar no mercado um smartphone por 35 euros apresenta-se como um desafio monumental. Dados da Counterpoint Research referentes ao terceiro trimestre de 2025 indicam que o preço médio de venda de um equipamento na região do Médio Oriente e África fixa-se nos 188 dólares (cerca de 163 euros), um valor muito distante da meta pretendida. Ahmad Shehab, analista da mesma consultora, destaca que alcançar um valor tão baixo seria mais viável num cenário onde os custos da memória fossem menores. A realidade dita que as condições atuais do mercado deixam margens de lucro extremamente curtas.

A obtenção de chips de memória de baixa capacidade, vitais para manter os custos de produção reduzidos, tem sido cada vez mais difícil, uma vez que a indústria global prefere priorizar a produção de componentes mais potentes e rentáveis. Paralelamente às dificuldades de hardware, a carga fiscal é um obstáculo de peso. Diversos mercados africanos continuam a taxar os telemóveis como bens de luxo, aplicando pesados impostos de importação que podem ascender aos 30%.

Até ao momento, nenhum dos seis países selecionados para os testes se comprometeu formalmente a aliviar estes encargos, levando a GSMA a reconhecer que a equação se torna ainda mais difícil sem uma intervenção governamental direta. Em contrapartida, a entidade elogiou a África do Sul, que no ano passado decidiu eliminar uma taxa de luxo de 9% sobre equipamentos com valor inferior a 150 dólares, servindo de exemplo a seguir.

A tentativa de democratizar o acesso à tecnologia nestas regiões não é um conceito totalmente novo. Projetos anteriores, como o programa Android One impulsionado pela Google a partir de 2014 na Índia e expandido para África em 2015, procuraram resultados idênticos, mas acabaram por não atingir a adoção global desejada. A GSMA tem plena consciência dos precedentes, o que comprova que o sucesso prático desta nova coligação exigirá uma coordenação genuína entre os governos locais, as fabricantes e as operadoras.

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