1. TugaTech » Internet e Redes » Noticias da Internet e Mercados
  Login     Registar    |                      
Siga-nos

médico vestido de robot

A presença da tecnologia na saúde está a alterar profundamente os hábitos dos pacientes. De acordo com um estudo recente divulgado pela Gallup, um em cada quatro norte-americanos já utiliza chatbots e ferramentas de inteligência artificial para procurar informações e conselhos médicos, assumindo estas plataformas como um complemento direto às visitas tradicionais aos especialistas.

O assistente virtual na sala de espera

Os dados recolhidos indicam que cerca de 70% dos inquiridos utilizam este tipo de sistemas para tarefas gerais, mas 25% aplicam-nos especificamente na área da saúde. Em vez de substituírem o médico de imediato, a maioria usa a tecnologia como um apoio: 59% procuram informações por conta própria antes de uma consulta e 56% fazem-no logo a seguir, muitas vezes para descodificar o que lhes foi dito.

Para uma franja significativa da população, a adoção destas ferramentas reflete barreiras no acesso à saúde. O estudo aponta que 14% dos utilizadores recorreram à tecnologia porque não podiam pagar a consulta, 16% devido a dificuldades em aceder a um profissional e 21% porque se sentiram ignorados pelos médicos no passado. Quando olhamos para os rendimentos, a diferença é notória: em agregados que ganham menos de 22 mil euros anuais, 32% usaram a inteligência artificial por incapacidade financeira para ir ao médico, um valor que desce para apenas 2% nas famílias com rendimentos superiores a 165 mil euros.

Seja qual for a motivação, quase metade dos utilizadores garante que estas plataformas os ajudam a sentir mais confiança na hora de fazer perguntas aos especialistas. As ferramentas de eleição para estas pesquisas são os modelos de linguagem conversacional, como o ChatGPT, utilizados por 61% das pessoas, seguindo-se as visões gerais integradas em pesquisas na web, como as oferecidas pela Google.

O risco do diagnóstico informático

As perguntas mais frequentes dirigidas a estes sistemas focam-se em problemas do dia a dia. Mais de metade dos utilizadores procura esclarecer dúvidas sobre nutrição, exercício físico e sintomas físicos. Existe também uma forte dependência da tecnologia para interpretar informações complexas, com 46% a investigar os efeitos secundários da medicação e 44% a tentar perceber os detalhes do seu próprio historial clínico.

O impacto mais alarmante deste fenómeno reflete-se na abstenção médica. O relatório revela que 14% das pessoas que pediram conselhos a estas ferramentas decidiram cancelar ou saltar a visita ao médico nos últimos 30 dias com base nas respostas obtidas. No entanto, a confiança cega não é a regra. Apenas um terço dos utilizadores afirma confiar totalmente nas informações geradas, com uma fatia igual a declarar desconfiança. De forma mais preocupante, cerca de um em cada dez indivíduos relatou ter recebido conselhos que considerou medicamente inseguros.

Este cenário traça o retrato de um sistema de saúde em transição, onde a procura por informações rápidas divide espaço com a necessidade de validação clínica. As plataformas digitais estão a moldar a forma como os doentes se preparam para as consultas, levantando novos desafios sobre a precisão e a utilidade destes dados na gestão dos cuidados de saúde.

Foto do Autor

Aficionado por tecnologia desde o tempo dos sistemas a preto e branco

Ver perfil do usuário Enviar uma mensagem privada Enviar um email Facebook do autor Twitter do autor Skype do autor

conectado
Encontrou algum erro neste artigo?



Aplicações do TugaTechAplicações TugaTechDiscord do TugaTechDiscord do TugaTechRSS TugaTechRSS do TugaTechSpeedtest TugaTechSpeedtest TugatechHost TugaTechHost TugaTech