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ram de computador

O grande obstáculo que a indústria da tecnologia enfrenta atualmente não reside no desenvolvimento de novos modelos de inteligência artificial ou na capacidade bruta de processamento das GPUs. O verdadeiro problema chama-se memória e o cenário é de uma crise profunda que promete afetar o bolso de todos os utilizadores. Segundo dados recentes avançados pela TrendForce, o trio que domina 90% da produção mundial — composto pela Samsung, SK Hynix e Micron — apenas conseguirá satisfazer cerca de 60% da procura prevista até 2027.

Esta situação é particularmente grave porque os fabricantes decidiram apostar as fichas quase todas na memória HBM (High Bandwidth Memory), que é utilizada para acelerar sistemas de inteligência artificial devido às margens de lucro mais elevadas. Como consequência direta, a produção de memórias DRAM, essenciais para o funcionamento de PCs e smartphones, ficou para segundo plano, originando uma subida galopante nos preços de mercado que se sente desde outubro de 2025.

Planos de expansão das fábricas não travam a escassez

Apesar de existirem investimentos em curso, a luz ao fundo do túnel parece estar ainda bastante distante para os consumidores. A Samsung planeia colocar em funcionamento uma nova unidade em Pyeongtaek, na Coreia do Sul, durante o ano de 2026, mas a produção em massa só deverá arrancar em 2027. No entanto, o foco desta e de outras expansões nos Estados Unidos continuará a ser, em grande parte, os chips destinados à IA, deixando o mercado de consumo tradicional numa posição vulnerável.

detalhes das vendas de DRAM no mercado

Por outro lado, a SK Hynix já iniciou a produção de módulos HBM numa nova fábrica em fevereiro e espera concluir outra unidade perto de Seul em 2027. Também a Micron está a tentar acelerar o passo com novas instalações em Idaho, Singapura e Taiwan, mas os componentes que sairão destas linhas de montagem não estarão disponíveis antes da segunda metade de 2027 ou mesmo 2028. De acordo com as estimativas da Counterpoint Research, seria necessário um crescimento anual de produção de 12% para equilibrar o mercado, mas os planos atuais apontam apenas para um aumento de 7,5%.

Impacto direto no preço dos telemóveis e computadores

Quem acaba por pagar a fatura desta crise são os utilizadores finais. A memória é um componente transversal e cerca de 90% dos chips produzidos destinam-se a computadores, servidores e equipamentos móveis. O impacto é já visível nos smartphones de gama de entrada: se antes a memória representava 20% do custo de fabrico, espera-se que esse valor duplique para os 40% até meados de 2026.

Esta conjuntura deixa os fabricantes sem margem de manobra, forçando-os a refletir estes custos adicionais no preço final de venda. As previsões da IDC indicam mesmo que as vendas de telemóveis podem cair 13% em 2026 devido a este encarecimento. Curiosamente, enquanto os consumidores sofrem com os preços altos, as gigantes do setor registam lucros recorde, com a Samsung a conseguir amealhar nos primeiros três meses de 2026 o equivalente a todo o ano de 2025. Nesta lacuna de mercado, empresas chinesas como a YMTC e a CXMT tentam agora ganhar terreno, aproveitando a cautela excessiva dos líderes mundiais em investir em novas linhas de produção.

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