
O mercado automóvel na China, o maior do planeta, registou uma queda expressiva de 37% nas vendas de veículos a gasolina em abril de 2026. Este cenário resultou num marco histórico: nove dos dez modelos mais vendidos no país foram veículos plug-in, restando apenas um único carro exclusivamente a combustão na lista dos dez preferidos dos consumidores. De acordo com os dados avançados pelo Electrek, a quota de mercado dos veículos de novas energias atingiu os 61,4%.
O declínio acentuado dos motores tradicionais
Embora as vendas globais de automóveis tenham recuado 21,5% em termos homólogos, o impacto nos motores térmicos foi muito mais severo do que nos modelos elétricos. Enquanto os carros a combustão sofreram o referido tombo de 37%, as vendas de veículos puramente elétricos conseguiram inclusive registar uma subida ligeira de 2,4%. Marcas como a Xiaomi consolidaram a sua influência, com o modelo SU7 a garantir a segunda posição na tabela de vendas mensal, logo atrás do Geely EX2.
A lista dos modelos mais populares em abril reflete uma mudança profunda nas prioridades de quem compra carro na China. Gigantes locais como a BYD dominam o top 10 com modelos como o Sealion 06 EV, o Yuan Up e o Dolphin. No meio desta armada elétrica, a Tesla também marca presença com o Model Y na terceira posição, enquanto os fabricantes tradicionais estrangeiros lutam por relevância num mercado que parece ter abandonado definitivamente o petróleo como fonte primária.
Geopolítica e a fuga à dependência do petróleo
A aceleração desta transição na China ocorre num momento de grande instabilidade nos preços do petróleo a nível global. O bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz fez com que muitas nações asiáticas repensassem a sua dependência energética. A China, graças aos investimentos massivos em energias renováveis e na eletrificação do transporte, tem conseguido proteger-se melhor deste choque externo, ao mesmo tempo que limpa o ar das suas cidades.
Os fabricantes europeus e japoneses que demoraram a adaptar as suas frotas para tecnologias mais sustentáveis enfrentam agora dificuldades crescentes. Os números revelam que 80,1% dos veículos vendidos por marcas chinesas já são elétricos ou híbridos, enquanto as parcerias de marcas estrangeiras em solo chinês registam apenas 14,1% nestas categorias. Com a China a tornar-se o maior exportador automóvel mundial, esta tendência de eletrificação deverá espalhar-se rapidamente para outras regiões.












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