
O mercado mundial de carros elétricos atingiu a marca dos 17 milhões de unidades vendidas no final de 2024, mantendo este mesmo nível em 2025. Este cenário de consolidação da mobilidade elétrica ocorre num momento crítico em que a tensão no estreito de Ormuz volta a colocar a dependência energética e as flutuações do preço do petróleo no centro das atenções.
De acordo com o relatório detalhado da IEA, o crescimento das vendas já não é impulsionado apenas pelo discurso climático ou pelos apoios governamentais. A expansão global assenta agora numa combinação de preços cada vez mais competitivos, fomento da indústria local, aumento na disponibilidade de modelos e a procura pela segurança no acesso à energia.
O domínio asiático e a estagnação europeia
Em forte contraste com os números de 2014, quando as vendas se ficavam por algumas centenas de milhares de veículos, a evolução da indústria apresenta agora volumes maciços. A China destaca-se de forma isolada como o motor principal desta transição, registando mais de 11 milhões de carros elétricos comercializados apenas em 2024. Este volume traduz-se numa realidade em que praticamente um em cada dois automóveis novos vendidos no mercado chinês foi elétrico, roçando uma quota de 50%.
Por outro lado, a Europa estabilizou a sua fatia de mercado na casa dos 20%. Embora represente uma percentagem historicamente elevada, reflete uma estagnação clara quando comparada com a velocidade de adoção na Ásia. Os Estados Unidos continuam a avançar de forma mais lenta e ponderada. Simultaneamente, mercados emergentes como a Índia, Vietname, Indonésia, Malásia e Tailândia começam a apresentar crescimentos expressivos nas suas frotas elétricas, provando que o interesse pela adoção desta tecnologia se está a descentralizar para lá das potências habituais.
Menos subsídios e maior peso do consumidor
A componente financeira deste setor revela igualmente uma mudança estrutural. O investimento efetuado pelos consumidores nestes veículos saltou de cerca de 46 mil milhões de euros em 2017 para aproximadamente 515 mil milhões de euros no fecho de 2024. Em contrapartida, os apoios estatais fixaram-se em torno dos 36,8 mil milhões de euros. O peso percentual das ajudas públicas caiu drasticamente, passando de 20% para apenas 7% do total gasto em 2024, demonstrando que a tecnologia avança por mérito comercial e não artificialmente inflacionada.
Com o espetro de um agravamento nos preços dos combustíveis fósseis ditado pelas dinâmicas em Ormuz, a mobilidade elétrica adquire um forte apelo em regiões com acesso a redes elétricas estáveis e económicas. No entanto, o cenário de exportação evidencia um desafio profundo para o setor tradicional: a capacidade de produção em massa a custos reduzidos coloca a China numa posição imbatível no fornecimento global. Face à procura mundial por transporte movido a eletricidade de forma acessível, as marcas históricas da Europa, Japão e Coreia do Sul enfrentam um obstáculo imediato para se manterem relevantes num mercado onde os fabricantes chineses já assumiram o controlo industrial.












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