
Depois de soar o alarme com o aumento do preço da Steam Deck OLED para os 919 euros, a grande questão que paira no mercado é o que vai acontecer com a aguardada consola de sala da Valve. Segundo avançou o portal Wccftech, o projeto enfrenta agora obstáculos muito mais severos do que o atraso inicial motivado pela escassez de memória. Com o avanço do tempo, a situação agravou-se e os custos de produção dispararam de forma alarmante, desmantelando repetidamente a estratégia de lançamento que a empresa pudesse ter planeado.
O impacto da crise dos componentes no hardware
A escassez não só se manteve, como provocou um aumento radical no preço da memória RAM, ao mesmo tempo que os discos de estado sólido também viram o seu valor duplicar. No papel, o conceito do dispositivo continua a fazer todo o sentido. Trata-se de um computador compacto equipado com o sistema operativo focado em jogos, desenhado para a sala de estar, oferecendo mais potência do que a portátil e uma experiência de utilização muito mais próxima à de uma consola tradicional.
No seu interior, a máquina está equipada com um processador de seis núcleos da AMD baseado na arquitetura Zen 4 e uma placa gráfica semipersonalizada RDNA 3 com 1792 processadores de fluxo e 8 GB de memória de vídeo dedicada. As especificações completam-se com 16 GB de RAM, armazenamento de 512 GB ou 2 TB, além de conectividade moderna que inclui saídas de vídeo de alta resolução, Wi-Fi 6E e Bluetooth. O objetivo da marca é garantir uma experiência de jogo na resolução 4K a 60 fotogramas por segundo, recorrendo a tecnologias de escalonamento em títulos exigentes.
Uma estratégia comercial de difícil execução
Inicialmente, o projeto teria um enquadramento perfeito se chegasse ao mercado com um valor inferior, ou mesmo equivalente, ao de um computador convencional com o sistema da Microsoft. A otimização de software focada no entretenimento justificaria a aposta, sobretudo com o grande impulso que os sistemas baseados em pinguim têm tido na indústria. No entanto, o cenário mudou drasticamente desde o anúncio inicial. O custo de fabrico de computadores e consolas subiu consideravelmente nos últimos cinco anos, e não parece provável que a empresa esteja em posição de vender o equipamento com prejuízo inicial para recuperar o investimento através da venda de jogos e comissões.
As últimas fugas de informação revelaram que uma loja na República Checa chegou a listar o modelo base de 512 GB por 950 dólares e a versão de 2 TB por 1070 dólares. Tendo em conta a realidade atual, em que a versão portátil com o mesmo armazenamento custa 779 euros sem contar com a placa gráfica dedicada, prevê-se que o modelo de sala mais básico possa rondar facilmente entre os 1099 e os 1299 euros. Já a versão de maior capacidade poderá ver o seu valor subir muito além dessa barreira.
Para contextualizar, montar um computador de secretária com características semelhantes ronda os 1000 a 1100 euros na atualidade. Se o novo equipamento respeitar essa margem de preço, o cenário não será desastroso, mas o precedente deixado pelos aumentos recentes na linha portátil é bastante negativo. Sem um anúncio formal de lançamento no horizonte, resta saber se a fabricante vai arriscar colocar no mercado um produto dispendioso, correndo o risco de repetir o fracasso que a primeira geração desta máquina sofreu há mais de uma década.












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