
Troy Murray, um cidadão norte-americano, foi condenado a mais de dez anos de cadeia após comercializar informações pessoais de sete milhões de idosos a redes criminosas. O esquema, detalhado num comunicado do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e sustentado pelos avisos do mais recente relatório anual do FBI, rendeu largos milhões e facilitou fraudes avultadas de falsas lotarias com origem na Jamaica.
O esquema milionário à custa de cidadãos vulneráveis
Conhecido no submundo do cibercrime pelo pseudónimo Steve Dixon, o indivíduo de 57 anos assumiu a culpa no início de 2026. Entre 2016 e 2023, dedicou-se a vender listas com nomes, números de telemóvel, moradas e endereços de correio eletrónico de cidadãos de idade avançada. Murray cobrava habitualmente o equivalente a 460 euros por cada lista com centenas de contactos, acumulando ganhos pessoais que superaram os 4,8 milhões de euros.
Quando as plataformas habituais de transferência de dinheiro o baniram do sistema, o criminoso passou a exigir que os seus clientes pagassem através de cartões de oferta pré-pagos. Os lucros ilegais financiaram a compra de equipamentos agrícolas, automóveis e coleções de metais preciosos. Parte do dinheiro foi também parar às mãos do seu filho, que em meados de 2025 se declarou culpado por branquear cerca de 1,4 milhões de euros provenientes das atividades do pai. Estima-se que o impacto total das fraudes originadas por estas listas tenha gerado perdas superiores a 8,7 milhões de euros para as vítimas.
Fraudes online contra idosos continuam a bater recordes
Esta condenação surge numa fase em que os crimes direcionados às populações mais velhas registam um agravamento acentuado a nível global. Segundo os dados das autoridades de investigação, as pessoas com 60 ou mais anos apresentaram mais de 200 mil queixas por fraude num só ano, refletindo uma subida de 37% face a 2024. As perdas financeiras desta faixa etária aproximaram-se dos 7,2 mil milhões de euros em 2025, com um prejuízo médio de cerca de 35 mil euros por queixoso.
Numa nota separada revelada pelas mesmas instâncias judiciais esta semana, foram também apresentadas acusações formais contra um engenheiro de segurança da Google. O colaborador é suspeito de utilizar informação confidencial da empresa tecnológica para realizar e lucrar com apostas na plataforma descentralizada Polymarket.







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