
A Europa quer deixar de estar dependente de gigantes tecnológicos com o Euro-Office, uma nova suite de produtividade de código aberto criada por uma aliança de empresas europeias. O projeto procura garantir a soberania digital de instituições e governos, oferecendo uma plataforma na nuvem que concorre diretamente com soluções da Google Workspace.
Segundo a documentação partilhada no GitHub do Euro-Office, a primeira versão estável será disponibilizada a 9 de junho de 2026. Liderada por empresas como a IONOS e a Nextcloud, a ferramenta foca-se na edição colaborativa de documentos, folhas de cálculo e apresentações, sendo desenhada para operar na web em vez de exigir uma instalação local no computador.
Foco na soberania dos dados
O Euro-Office funciona integrado em produtos de gestão documental. A sua implementação está garantida no Nextcloud Hub 26 Spring, onde poderá substituir o Collabora, e posteriormente no XWiki durante o quarto trimestre de 2026. Entre as funcionalidades confirmadas estão a coedição em tempo real, marcas de água, edição de ficheiros PDF e um chat integrado.
Esta iniciativa surge numa altura em que vários países aceleram a sua independência tecnológica. A França, por exemplo, tem planos para substituir ferramentas de comunicação estrangeiras por uma plataforma nacional chamada Visio até 2027. O principal argumento do Euro-Office não é apenas superar a Microsoft em funcionalidades, mas sim assegurar que as informações sensíveis permanecem sob jurisdição europeia, facilitando auditorias e o controlo total da infraestrutura.
Polémica e direitos de autor
Apesar do objetivo bem definido, a plataforma enfrenta um desafio legal. O Euro-Office baseia-se no código da suite ONLYOFFICE, que acusa os criadores do novo projeto de violar as condições de licença e propriedade intelectual. A empresa responsável pelo ONLYOFFICE afirma que a tecnologia derivada não respeita as exigências de atribuição e a manutenção do logótipo original.
Em resposta, os responsáveis pelo projeto e a Free Software Foundation argumentam que a exigência de manter a marca entra em conflito com a licença AGPLv3. Enquanto a disputa decorre, o lançamento mantém-se inalterado, com o foco em entregar uma ferramenta fiável e independente para as entidades europeias.












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