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GoPro modelo de câmara

A GoPro encontra-se numa situação financeira extremamente delicada, tendo reemitido as suas contas relativas a 2025 com um aviso sério sobre a sua capacidade para manter a atividade durante os próximos doze meses. A recente crise e o aumento substancial do custo dos componentes deram o golpe de misericórdia numa empresa que já vinha a sofrer perdas pesadas e quebras de vendas, conforme detalhado no relatório anual de contas da marca. Sem uma injeção urgente de liquidez ou uma operação de reestruturação, a continuidade da fabricante está presa por um fio.

O preço dos componentes e a quebra nas vendas

No final de março, a GoPro foi notificada pelos seus fornecedores de que o preço dos módulos de memória iria sofrer um aumento brutal, fixando-se entre os 80 e os 115 por cento. Como se isto não bastasse, em abril, alguns fornecedores comunicaram também reduções na produção dos componentes utilizados nas famosas câmaras de ação. Para uma marca focada no fabrico de hardware, onde as margens de lucro costumam ser curtas, esta escalada de custos revelou-se avassaladora.

Os números do encerramento de 2025 já deixavam pouca margem para otimismo. A empresa registou receitas na ordem dos 600 milhões de euros, uma queda assinalável face aos cerca de 737 milhões de euros obtidos em 2024. A divisão de dispositivos físicos caiu de forma drástica, enquanto a área de subscrições e serviços se manteve estagnada, gerando aproximadamente 97 milhões de euros. No final do ano, a conta de resultados ditou um prejuízo operacional de perto de 76 milhões de euros e perdas líquidas a rondar os 86 milhões de euros. Apesar de as perdas terem sido consideravelmente menores do que as do ano anterior, a máquina continuou a queimar dinheiro num cenário de mercado cada vez mais hostil.

Medidas drásticas e o futuro incerto

As reservas financeiras e equivalentes da fabricante caíram a pique, passando de cerca de 94 milhões de euros para apenas 45 milhões. Este tombo compromete diretamente a capacidade da empresa para financiar o seu inventário, produzir novos equipamentos e abater a dívida existente. A própria marca reconhece que não deverá conseguir cumprir as obrigações e condições exigidas pelos seus credores.

A juntar a este cenário de asfixia financeira, existe um compromisso de compra de componentes inadiável e não reembolsável que ronda os 22,5 milhões de euros. Como tentativa de salvação, a marca avançou com o despedimento de 23 por cento da sua força de trabalho, uma medida que acarretará custos de indemnização superiores a 10 milhões de euros.

A sobrevivência passa agora por tentar renegociar a dívida, procurar financiamento externo, vender ativos não essenciais ou até mesmo encontrar um parceiro para fusão. Há ainda a intenção de aplicar a sua tecnologia nos setores aeroespacial e da defesa, mas sem tempo de manobra e com a caixa no limite, o relógio joga claramente contra a GoPro.

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