
A análise aos testes de degradação das baterias dos veículos elétricos revela, por vezes, surpresas inesperadas. Embora a maioria dos automóveis mantenha uma boa capacidade energética ao longo dos anos, existem casos isolados que mostram uma perda de autonomia acelerada. É o que acontece com um Tesla Model Y Long Range Rear-Wheel Drive de 2025 que, apesar de ter percorrido apenas 13 162 milhas (cerca de 21 182 quilómetros), já perdeu uma fatia significativa da saúde do seu componente principal.
O proprietário do veículo, o criador de conteúdos Branden Flasch, recorreu ao sistema de diagnóstico da própria marca para avaliar o estado do automóvel. O resultado partilhado no seu canal de YouTube revelou um valor alarmante de 88% de saúde da bateria. O histórico do carro mostra uma quebra progressiva e rápida: o mesmo teste apontava para 95% de capacidade aos 9600 quilómetros (6000 milhas) e caiu para 90% perto dos 17 700 quilómetros (11 000 milhas).
O impacto dos carregamentos rápidos e do uso diário
Este procedimento integrado da Tesla exige que o automóvel seja ligado a um carregador de Nível 2. O sistema descarrega a bateria quase por completo e volta a carregá-la até aos 100% durante a noite, permitindo avaliar individualmente o comportamento de cada célula. O teste demorou cerca de 12 horas a ficar concluído e indicou uma autonomia máxima de 302 milhas (cerca de 486 quilómetros) com a carga completa, o que representa menos 58 quilómetros do que o verificado em novo.
As causas para este decréscimo acentuado podem estar relacionadas com os hábitos de carregamento e as funcionalidades ativas no veículo. Cerca de 57% da energia fornecida a este Model Y veio de postos de carregamento rápido em corrente contínua (DC), divididos entre Superchargers de 250 kW e postos de 50 kW. Os restantes 43% foram assegurados por carregadores domésticos AC de Nível 2.
Funcionalidades de segurança aceleram o desgaste
Outro fator importante prende-se com o facto de o veículo passar muito tempo estacionado ao ar livre com o Modo Sentinela e a Proteção Contra Sobreaquecimento do Habitáculo ativados. Ambas as ferramentas consomem eletricidade de forma contínua mesmo com o carro desligado. A climatização ativa-se automaticamente para impedir que o interior supere os 40°C, gerando um esforço adicional e constante sobre as células energéticas.
Especialistas do setor apontam que a maior parte da degradação nos automóveis elétricos ocorre nos primeiros meses de utilização, tendendo a estabilizar assim que o conjunto atinge os 90% de capacidade. No entanto, se o ritmo atual se mantiver, o proprietário estima que o modelo poderá apresentar apenas 82% de saúde no momento em que terminar o contrato de locação financeira, daqui a mais 18 meses.












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