
Os ficheiros llms.txt, criados para guiar os modelos de inteligência artificial na recolha de conteúdos pela internet, afinal quase não têm utilidade prática. De acordo com um estudo recente partilhado pela Ahrefs, cerca de 97% destes ficheiros alojados em mais de 137 mil domínios receberam zero pedidos ao longo do mês de maio de 2026. Os dados revelam que a grande maioria dos robôs de recolha simplesmente ignora a existência desta nova ferramenta.
Quem anda realmente a ler estes ficheiros
Embora a proposta original deste formato fosse alimentar assistentes virtuais e motores de busca inteligentes, o relatório demonstra um cenário bem diferente da teoria. Do tráfego restante que de facto acedeu aos ficheiros válidos na amostra, cerca de 96% teve origem em sistemas automáticos tradicionais e não em IA. Ferramentas de auditoria de SEO representaram 21% dos acessos, seguidas por rastreadores convencionais como o Googlebot, com 13%.
Em contrapartida, os robôs focados em extração de dados para plataformas de inteligência artificial conversacional representaram apenas 1,1% do total de interações. Para colocar a situação em perspetiva, ferramentas internas como o Slackbot visitaram mais vezes estes diretórios do que os sistemas de recolha de informação da Perplexity.
Um ecossistema focado em si mesmo
A análise aponta para a criação de um mercado que estuda o seu próprio reflexo, onde aplicações criadas para validar e pontuar a preparação de sites para a inteligência artificial enviam mais tráfego do que os assistentes que deveriam usufruir das listagens. Cerca de 12% dos acessos serviram apenas para monitorizar ou escanear os documentos de texto.
Especialistas alertam ainda que os portais que geram estes ficheiros de forma automática devem ter cuidado acrescido. O relatório descobriu rastreadores a analisar estes caminhos em busca de falhas de segurança através de injeção de comandos, uma vez que os agentes automatizados tendem a confiar cegamente em todo o material que absorvem na rede.












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