
Treze das principais editoras mundiais, incluindo a Penguin Random House, a Elsevier e a HarperCollins, avançaram com uma ação judicial contra a plataforma WeLib, acusando-a de gerir um esquema em grande escala de pirataria de livros e artigos académicos. De acordo com os dados partilhados pelo portal TorrentFreak, este novo processo surge poucas semanas após o mesmo grupo de empresas ter ganho uma indemnização de 19,5 milhões de dólares contra a Anna's Archive, uma conhecida biblioteca na sombra que terá servido de base para a criação da WeLib. Os queixosos acusam os operadores anónimos do site de terem copiado não só o código-fonte como também a vasta coleção de ficheiros da plataforma anteriormente condenada.
Escala massiva e modelo de negócio pago
Embora a WeLib se autodenomine uma biblioteca sem fim focada na democratização do acesso à educação e à literatura, as editoras rejeitam categoricamente essa descrição. No documento enviado ao tribunal de Nova Iorque, é sublinhado que as verdadeiras bibliotecas operam de forma legítima e financiada, enquanto esta plataforma se aproveita do trabalho de terceiros para obter lucros sem qualquer autorização ou compensação para os autores. O volume de dados disponibilizado é impressionante, contando com cerca de 43 milhões de livros e 98 milhões de artigos científicos.
O impacto da atividade reflete-se nos números registados pelo próprio serviço, que contabiliza mais de 80 mil utilizadores ativos mensais e mais de 14,5 milhões de downloads no último mês. Apesar de permitir acessos gratuitos com restrições, o site disponibiliza planos de subscrição para contornar as filas de espera e acelerar os downloads. Estes valores variam entre o equivalente a cerca de 6,50 euros por mês e os 83 euros mensais no patamar mais elevado. Os pagamentos são processados de forma oculta através de criptomoedas, WeChat e Alipay, utilizando intermediários financeiros que não exigem a verificação de identidade dos clientes.
O mistério do treino de inteligência artificial
Outro argumento central apresentado pelas editoras prende-se com a utilização destes conteúdos protegidos para o treino de modelos de inteligência artificial. A acusação alega que a WeLib tem funcionado como um fornecedor ilegal de dados para empresas tecnológicas, apontando um caso judicial anterior onde a Meta foi acusada de usar este repositório para treinar os seus modelos Llama. No entanto, esta ligação levanta algumas dúvidas de caráter técnico e cronológico, uma vez que os processos anteriores mencionavam a base de dados C4 e uma plataforma antiga chamada PDF Drive, cujo domínio começou a redirecionar para a WeLib mais recentemente.
Para além do pedido de indemnização financeira, que pode voltar a atingir o valor máximo legal de 19,5 milhões de dólares, as editoras exigem uma ordem judicial permanente para encerrar a atividade do site. O objetivo é forçar os registos de domínios e fornecedores de alojamento a desativar os endereços da WeLib, incluindo os servidores de nomes geridos por entidades localizadas fora da jurisdição direta dos Estados Unidos da América. Como os proprietários operam sob total anonimato e dificilmente comparecerão em tribunal, o desfecho provável desta ação deverá passar por uma condenação por falta de comparência, repetindo o cenário observado com os responsáveis da Anna's Archive.












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