
Jeff Bezos, fundador da Amazon, contrariou a visão popular sobre o impacto da inteligência artificial no emprego durante a sua participação no evento VivaTech, em Paris. De acordo com a Reuters, o empresário defendeu que a tecnologia não tornará os humanos obsoletos, mas acabará por provocar uma escassez de mão de obra.
Quebra de barreiras na criação e produção
A ideia central de Bezos foca-se na redução de obstáculos. Ao diminuir as barreiras técnicas e financeiras, a IA permitirá que um número crescente de pessoas consiga projetar, fabricar e desenvolver ideias que atualmente exigem demasiados recursos. Para o líder tecnológico, os humanos não sofrem de falta de tarefas, mas sim de limites na sua capacidade de execução, tendo perante si uma infinidade de projetos por concretizar e desenvolver.
Esta visão otimista cruza-se com uma realidade desafiante no imediato do mercado corporativo. Apenas no mês de maio, as empresas anunciaram dezenas de milhares de despedimentos, com uma fatia considerável destes cortes estruturais a estar vinculada à adoção tecnológica para reduzir custos. A própria Amazon tem reduzido a sua força de trabalho corporativa desde o final do ano anterior, uma reestruturação que o atual diretor executivo, Andy Jassy, já tinha associado aos ganhos de eficiência trazidos pelas novas ferramentas de automação.
Expansão para a exploração espacial
A perspetiva de Bezos alarga-se para além do nosso planeta e interliga-se com a sua empresa aeroespacial, a Blue Origin. O executivo apontou que, se as viagens espaciais se tornarem fiáveis e económicas, será possível extrair materiais de asteroides e da Lua. Este processo, fortemente apoiado na robótica, tem como objetivo final mover os processos poluentes para fora do globo e devolver a Terra ao seu estado anterior à Revolução Industrial.
Embora o discurso aponte para um aumento drástico da produtividade ascendente e para a criação de novos papéis na indústria de fabricação física, o debate sobre o atual desajuste do mercado continua aberto. A transição levanta questões sobre o balanço entre as posições eliminadas pelas recentes medidas de eficiência e as necessidades humanas no novo panorama da inovação digital.












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