
A gigantesca procura por poder computacional está a atingir até as maiores empresas tecnológicas do planeta. A Google viu-se forçada a restringir a utilização do seu modelo Gemini por parte da Meta, após a empresa de Mark Zuckerberg ter excedido os limites de capacidade dos servidores, segundo as informações avançadas pelo jornal The Financial Times.
Falta de infraestrutura afeta gigantes da tecnologia
Ao contrário de outras entidades do setor, a detentora do Facebook e do Instagram não opera um negócio próprio de serviços na cloud. Para contornar esta limitação estrutural, a empresa encontra-se a expandir rapidamente os seus centros de dados, com investimentos prometidos na ordem dos 550 mil milhões de euros para os próximos dois anos.
O aviso sobre o limite de capacidade chegou em março. A situação obrigou a gestão a solicitar aos funcionários que utilizassem os tokens de forma muito mais eficiente no seu trabalho diário. Atualmente, o modelo da Alphabet é aplicado internamente pela empresa em áreas críticas como o apoio ao cliente, programação, chatbots para anunciantes e na deteção de burlas ou remoção de conteúdos nocivos. A escolha recaiu sobre esta solução porque o desempenho prático superou os modelos de código aberto Llama desenvolvidos internamente. A organização recorre ainda ao Claude da Anthropic para fins semelhantes.
O custo invisível da revolução digital
Apesar dos milhares de milhões investidos em infraestrutura, o fornecimento de hardware mal consegue acompanhar a procura real de processamento. Esta escassez gera um efeito em cadeia que encarece o acesso a estas ferramentas de linguagem, com impacto direto não apenas nos orçamentos das grandes empresas, mas também no tecido empresarial europeu e nas startups portuguesas que dependem de APIs externas para desenvolver os seus projetos.
Curiosamente, a própria criadora do motor de busca enfrenta desafios semelhantes de infraestrutura. Para suportar as exigências de desempenho da sua versão empresarial, a empresa aceitou recentemente pagar cerca de 850 milhões de euros mensais à SpaceX para poder utilizar os centros de dados da xAI.
Embora os utilizadores intensivos estejam a retirar proveito deste avanço tecnológico, os fornecedores principais, como a OpenAI, ainda não alcançaram a rentabilidade desejada. As receitas atuais geradas pelos subscritores representam apenas uma pequena fração dos custos operacionais colossais necessários para manter as máquinas a funcionar. Como resultado, o preço dos tokens disparou no mercado global, forçando várias organizações a recuar na integração destas ferramentas e evidenciando a pressão extrema sobre o hardware mundial.












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