
A Red Hat desenvolveu uma nova abordagem técnica para reduzir a quantidade de servidores necessários em implementações de alta disponibilidade na periferia da rede ("edge"). Segundo avançou o The Register, a subsidiária da IBM tomou esta decisão impulsionada pelas crescentes preocupações dos seus clientes corporativos relativamente aos elevados custos de aquisição e manutenção de hardware no mercado atual.
Resposta ao encarecimento do hardware
A novidade foi introduzida por Daniel Froehlich e Paul Lancaster, especialistas da Red Hat, que justificaram o investimento em arquiteturas alternativas de larga escala devido aos custos proibitivos de energia, manutenção e implementação de um terceiro nó em centenas ou milhares de localizações remotas. Esta necessidade de contenção financeira acentuou-se com a recente subida generalizada dos preços dos componentes tecnológicos globais.
Até ao momento, a empresa já disponibilizava uma topologia assente em dois nós principais complementados por um dispositivo "árbitro". Este elemento requisitava uma configuração modesta — pelo menos dois processadores virtuais, 8 GB de RAM e 50 GB de armazenamento sólido (SSD) — com o objetivo de manter o quórum e evitar o cenário de "split-brain", uma falha grave onde ambos os servidores operam em paralelo sem conectividade, corrompendo dados replicados. Contudo, até o custo e a complexidade desta máquina secundária passaram a ser vistos como um obstáculo pelos clientes.
Tecnologia de isolamento substitui terceiro nó
Para contornar a exigência do "árbitro", a tecnológica adaptou ferramentas integradas no ecossistema do Red Hat Enterprise Linux High Availability Add-On, especificamente o Corosync e o Pacemaker, implementando um mecanismo conhecido como fencing (isolamento forçado). Quando a ligação entre os dois servidores falha, o Pacemaker no nó ativo força o encerramento ou o reinício da máquina isolada, assumindo de imediato todas as cargas de trabalho e garantindo a integridade dos dados da infraestrutura.
Para quem utiliza este tipo de arquitetura, isto significa que a resiliência dos sistemas deixa de depender de hardware redundante, embora existam requisitos estritos: os servidores aplicados têm de integrar um controlador de gestão de placa-mãe (BMC) compatível com a API Redfish.
Desafios operacionais e concorrência com a VMware
Apesar dos benefícios económicos, a Red Hat assume que a operação com apenas dois nós apresenta desafios. Se a alimentação elétrica falhar e apenas um dos servidores recuperar a energia de forma independente, a consistência do sistema no arranque não é totalmente garantida. Adicionalmente, caso ambas as máquinas fiquem desligadas e apenas uma reinicie, poderá ser exigida uma intervenção manual dos administradores de sistemas.
Esta solução ganha relevância num contexto em que o mercado europeu e global exige o processamento local de dados em tempo real, como em superfícies comerciais que analisam fluxos de vídeo. A arquitetura de dois nós do OpenShift suporta também o OpenShift Virtualization, posicionando a plataforma de código aberto de forma mais competitiva contra soluções proprietárias da VMware.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!