
Numa das maiores ofensivas internacionais contra a transmissão ilegal de conteúdos desportivos, as autoridades norte-americanas desmantelaram uma vasta rede de plataformas que emitiam jogos de futebol sem autorização. De acordo com o comunicado oficial emitido pelo Departamento de Justiça dos EUA, a operação resultou na apreensão de mais de 1000 websites e no bloqueio de 1970 domínios de internet criados especificamente para transmitir os encontros do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026.
A investigação contou com a colaboração ativa da própria FIFA e da Alliance for Creativity and Entertainment (ACE), além de grandes redes de entretenimento como a NBCUniversal, a Warner Bros, a UFC e o beIN Media Group. A partilha de dados permitiu localizar as infraestruturas utilizadas pelos infratores, culminando numa ação coordenada que afetou severamente o ecossistema do streaming ilegal à escala global.
Operação global contra a transmissão ilegal
O esforço principal concentrou-se na chamada "Operação Offsides", liderada pelo Centro de Coordenação Nacional de Direitos de Propriedade Intelectual (IPR Center) e pelo departamento de Investigações de Segurança Interna (HSI) de Washington. Esta iniciativa conjunta envolveu 14 parceiros internacionais espalhados por 54 países, conseguindo neutralizar quase 400 domínios web só até ao final do mês passado.

Para lá dos prejuízos financeiros causados aos detentores dos direitos televisivos, as autoridades alertam para os perigos a que os utilizadores se expõem ao aceder a estes serviços. Segundo Eric Weindorf, agente especial do HSI, estas plataformas não servem apenas para a pirataria, funcionando também como portas de entrada para ataques de malware e ligações inseguras que comprometem dados pessoais e bancários de quem assiste às transmissões.
Detenções na América Latina e redes organizadas
Em paralelo, a "Operação Red Card" visou a infraestrutura tecnológica em vários países da América Latina, resultando no bloqueio de centenas de páginas em nações como o Brasil, a Argentina, o Equador, o Peru, a República Dominicana e a Colômbia. Em território colombiano, uma segunda fase da operação lançada a 10 de julho culminou na detenção de quatro integrantes do grupo cibercriminoso "Los Ciberinfiltrados", que vendiam acessos ilícitos e invadiam sistemas de telecomunicações desde 2024.
O impacto deste tipo de redes é massivo. Como termo de comparação, as autoridades recordam que, ainda em junho, o México desativou 44 domínios associados à conhecida plataforma ilegal PirloTV. Juntos, estes endereços acumulavam mais de 950 milhões de visitas anuais, com cerca de 230 milhões de acessos a registarem-se apenas a partir de território mexicano. Adicionalmente, o FBI já tinha emitido um alerta em maio relativo a esquemas de fraude associados ao torneio, detetando sites falsos que simulavam a página oficial da FIFA para vender bilhetes inexistentes e roubar informações financeiras.












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