
As autoridades internacionais levaram a cabo uma das maiores operações da história do desporto para combater a transmissão ilegal de conteúdos televisivos. Denominada "Operação Offsides" nos Estados Unidos e "Operación Tarjeta Roja" na América Latina, a ação conjunta resultou no bloqueio de quase duas dezenas de centenas de domínios na internet, detenções e no corte de receitas publicitárias de redes organizadas.
A revelação surge numa altura em que o Campeonato do Mundo de Futebol da FIFA se aproxima da grande final em Nova Iorque, servindo como um balanço do impacto destas ações transcontinentais. Conforme detalhado pelo TorrentFreak, esta é já considerada a resposta mais abrangente alguma vez registada contra a pirataria digital num evento desportivo.
A investida norte-americana e os servidores iranianos
Nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça dos EUA e a agência de Investigações de Segurança Interna lideraram a "Operation Offsides". O plano inicial, apresentado a 26 de junho na Virgínia, visava cerca de 400 domínios que transmitiam os jogos do Mundial sem autorização. Contudo, o esforço escalou rapidamente através da cooperação internacional, permitindo identificar e visar pelo menos 627 domínios, um volume cinco vezes superior ao registado no Mundial do Qatar.
Para esta caça aos infratores, as autoridades contaram com o apoio direto da FIFA, da beIN Media Group, da Comcast (através da NBCUniversal), da ACE, do UFC e da Warner Bros. As investigações estenderam-se a países apontados como centros operacionais de pirataria, incluindo a Bulgária e o Peru, além de ações de suporte na Croácia, Roménia, Polónia e Colômbia.
Muitos dos operadores destes serviços ilegais tentaram contornar os bloqueios através de vagas sucessivas de domínios alternativos de recurso. Alguns chegaram mesmo a migrar as suas infraestruturas para o domínio de topo nacional do Irão (.ir), na tentativa de colocar os servidores fora do alcance da justiça norte-americana.
Operação Cartão Vermelho resulta em prisões e apreensões
Em paralelo, a Procuradoria-Geral da Colômbia coordenou a "Operación Tarjeta Roja" (Operação Cartão Vermelho), unindo procuradores e ministérios públicos de nove nações americanas, entre as quais a Argentina, o Brasil, o Chile, o Equador, o Paraguai e a República Dominicana. O impacto foi massivo: só em território colombiano foram suspensos 1140 domínios e URLs. No total dos países participantes na aliança latino-americana, o número de plataformas bloqueadas atingiu as 1840.
Além da vertente digital, a operação avançou para o terreno e resultou em 15 detenções. Quatro indivíduos foram detidos em Soacha, perto de Bogotá, acusados de piratear os sistemas de uma operadora de telecomunicações para vender pacotes de televisão por cabo económicos de forma fraudulenta. Outras 11 pessoas foram acusadas de violação de marcas registadas por venderem material contrafeito associado ao Mundial de Futebol. Nestas rusgas, as autoridades apreenderam mais de 4200 artigos desportivos ilegais e milhares de logótipos e emblemas falsificados.
O sufoco financeiro e o bloqueio de marcas populares
A investida contra o streaming ilegal não se limitou à via judicial. A organização Trustworthy Accountability Group (TAG) utilizou a sua lista de exclusão de pirataria para cortar as receitas de publicidade a 1376 sites que transmitiam os jogos ilegalmente. A estratégia passa por sufocar financeiramente os operadores, retirando-lhes o incentivo económico para manter as plataformas ativas.
Na Argentina, a unidade de cibercrime UFECI visou plataformas populares como a Stella TV, a Tele Latino e serviços associados à conhecida marca FútbolLibre, que já estava sob investigação ativa. Após queixas apresentadas pelas operadoras DirecTV e Personal Flow, os reguladores de comunicações argentinos avançaram com o bloqueio imediato de 14 plataformas digitais. Embora os resultados práticos revelem a resiliência de algumas destas redes, a escala desta cooperação global fixa um novo precedente na proteção de direitos de transmissão desportiva.












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