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A Google lançou uma nova nomenclatura oficial para identificar e classificar grupos de piratas informáticos à escala global. A decisão assinala o abandono prático de um esforço conjunto liderado pela Microsoft que, há cerca de um ano, tentou uniformizar a identificação de ameaças no setor da cibersegurança para facilitar o trabalho das equipas de defesa técnica.

De acordo com o comunicado partilhado no blog oficial da Google, a nova estrutura surge após a integração total da Mandiant, empresa adquirida em 2022, na nova divisão especializada batizada como Google Threat Intelligence Group (CTIG). A tecnológica defende que o modelo atual simplifica os processos internos e a resposta direta a incidentes.

Como funciona a nova taxonomia de ameaças

O esquema baseia-se numa combinação fixa de duas palavras estruturadas. O primeiro termo consiste num nome único e aleatório gerado por computador para evitar preconceitos de análise, exceto se a comunidade de segurança já associar uma alcunha fortemente consolidada ao grupo em causa.

A segunda palavra funciona como o identificador de categoria, agrupando os atacantes com base na sua origem geográfica estatal, motivação financeira ou tipo de atividade prioritária. A organização inicial divide-se em cinco grandes grupos:

  • CASTLE: Atividades de espionagem ou ataques associados à República Popular da China.

  • RELIC: Operações com ligações diretas ou patrocínio do Estado russo.

  • ION: Grupos de ameaças direcionadas provenientes do Irão.

  • NEPTUNE: Ofensivas digitais lançadas pela Coreia do Norte.

  • COMET: Redes de cibercrime puramente financeiras, sem apoio governamental direto.

O impacto da fragmentação na segurança digital

A introdução desta taxonomia isolada representa um revés no ecossistema de proteção de redes. Em 2025, gigantes como a Microsoft e a CrowdStrike procuraram estabelecer uma linguagem universal porque a multiplicação de nomes confunde os administradores de sistemas. Atualmente, uma única entidade militar russa, a Unidade 74455, chega a ser descrita por dez termos diferentes no mercado, incluindo Seashell Blizzard, APT44 ou VOODOO BEAR, dependendo do fornecedor do software de segurança.

A tomada de posição da Google surge também numa altura em que entidades estatais, como o Centro de Resposta a Emergências de Vírus Informáticos da China (CVERC), criticam publicamente os moldes das alcunhas atribuídas pelo Ocidente. O organismo queixou-se do uso recorrente de termos de cariz cultural, como "Typhoon" ou "Panda", sugerindo expressões idiomáticas neutras.

Para os profissionais que gerem defesas em Portugal baseadas em múltiplas ferramentas, esta mudança significa que será necessário continuar a mapear tabelas de correspondência complexas para decifrar se os diferentes alertas emitidos pelas plataformas dizem respeito ao mesmo atacante.

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