
A Samsung Electronics encerrou o segundo trimestre de 2026 com resultados financeiros históricos, alavancados quase em exclusivo pela forte procura associada à inteligência artificial e pela consequente escalada no preço dos semicondutores. Segundo avançou a Reuters, a tecnológica sul-coreana registou uma faturação total homóloga de aproximadamente 109,2 mil milhões de euros (118.600 milhões de dólares), o que representa um crescimento de 130% face ao mesmo período do ano anterior. O maior destaque vai para o benefício operativo, que atingiu cerca de 57,1 mil milhões de euros (62.000 millones de dólares) e multiplicou por 19 os ganhos registados há um ano.
Semicondutores sustentam recordes e geram desequilíbrio interno
A divisão de semicondutores (Device Solutions), que junta os negócios de System LSI, fundição e armazenamento, registou receitas de 127,5 biliões de wones — um disparo de 357% em termos interanuais. O lucro operacional desta área fixou-se nos 89,2 biliões de wones, uma subida massiva face aos escassos 400.000 milhões de wones obtidos no segundo trimestre de 2025.
Estes números demonstram que os chips geraram praticamente a totalidade dos lucros da Samsung, operando com uma margem próxima dos 70%. O segmento de memórias faturou isoladamente 120,8 biliões de wones, impulsionado pela forte comercialização de DRAM, NAND, SSD empresariais e memórias HBM aplicadas nos aceleradores de IA. A marca confirmou volumes recorde de vendas nestas tecnologias, concentrando a produção no setor da inteligência artificial, onde as margens são mais elevadas e os pagamentos são feitos de forma antecipada.
Contudo, este cenário gerou um forte desequilíbrio interno. O encarecimento semanal dos componentes penalizou as restantes áreas da gigante sul-coreana, com a divisão responsável pelos smartphones Galaxy a fechar o trimestre em prejuízo pela primeira vez na sua história.
Smartphones entram em perdas e crise da memória prolonga-se até 2029
A faturação combinada das divisões Mobile eXperience e Networks cresceu 14% face ao segundo trimestre de 2025 devido à boa receção dos modelos premium e da linha Galaxy A, mas caiu 13% em termos sequenciais. O encarecimento da tecnologia de armazenamento resultou em perdas operacionais de 487.000 dólares para a área móvel, contrastando com o lucro de 2.155 milhões de dólares registado no período homólogo. No conjunto da área Device eXperience, as perdas operacionais fixaram-se nos 556.000 dólares, afetando também televisores e eletrodomésticos.
A Samsung prevê que a atual escassez de componentes piore ao longo de 2027 e se estenda durante o ano de 2028. De acordo com os planos da fabricante, a capacidade global de produção não será suficiente para acompanhar a infraestrutura de IA, pelo que a normalização do mercado de consumo apenas deverá começar a surgir em 2029. Para assegurar as operações e reduzir os riscos dos investimentos de expansão fabril, a empresa já fechou contratos de fornecimento de pelo menos cinco anos com cinco dos maiores operadores globais de data centers.
Para a segunda metade de 2026, a estratégia da tecnológica passa por recuperar a rentabilidade no segmento móvel através do reforço de vendas de dispositivos mais caros, com foco na futura gama Galaxy S27 e nos novos dobráveis Galaxy Z Fold8. A marca pretende ainda aplicar medidas estritas de controlo de custos e avançar com o lançamento de óculos inteligentes equipados com inteligência artificial para mitigar os impactos financeiros gerados pelos custos de produção.












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