
O primeiro trimestre de 2026 trouxe números impressionantes para a fabricante sul-coreana, impulsionados pela elevada procura de componentes para servidores. De acordo com os dados partilhados pela Reuters, a Samsung revelou as suas estimativas preliminares que apontam para um aumento de 755% nos lucros operacionais em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A empresa registou receitas consolidadas a rondar os 77,14 mil milhões de euros, o que se traduz num lucro operacional de 33,17 mil milhões de euros. Isto representa um crescimento de 41,7% nas receitas face ao último trimestre de 2025, e uma subida de 68,1% em comparação com o período homólogo. Para termos uma ideia do salto financeiro, nos primeiros três meses do ano passado, a marca tinha reportado 45,9 mil milhões de euros em vendas e cerca de 3,88 mil milhões de euros de lucro. O relatório completo e definitivo com todos os detalhes financeiros será apresentado no dia 30 de abril.
O impacto da memória para servidores nos cofres da marca
O grande motor deste crescimento exponencial é a atual corrida à construção de centros de dados dedicados à inteligência artificial. A necessidade de infraestruturas robustas colocou uma enorme pressão na cadeia de fornecimento, fazendo disparar os preços dos chips de memória.
Esta inflação também se reflete de forma direta no mercado, afetando componentes usados em telemóveis, computadores e consolas. Durante o primeiro trimestre, os custos destes chips quase duplicaram. Embora o segundo trimestre traga um ligeiro abrandamento, com subidas na ordem dos 30%, o consumidor final sairá prejudicado com o agravamento dos preços na tecnologia diária.
Mercado de consumo em segundo plano
Atualmente, os fabricantes estão a concentrar os seus esforços na produção de chips HBM e módulos para servidores de alto desempenho, que garantem margens de lucro muito superiores. Como consequência, a produção destinada ao mercado de consumo doméstico foi reduzida. Existe uma previsão de que a memória DRAM convencional sofra um agravamento de preço entre 58% e 63%, enquanto a memória NAND, utilizada nos discos SSD, ficará entre 70% a 75% mais cara.
Curiosamente, este sucesso financeiro mascara os resultados negativos de outras divisões da empresa. A área lógica, que engloba a System LSI e a produção de semicondutores para terceiros, apresenta perdas estimadas em 928 milhões de euros. Em paralelo, a divisão de dispositivos móveis registou uma quebra de 7% face ao ano passado, contribuindo apenas com 2,32 mil milhões de euros para os lucros no arranque deste ano. Na prática, a venda de componentes de memória está a ser mais do que suficiente para cobrir o enfraquecimento dos restantes departamentos da tecnológica.












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