
A remoção temporária do Telegram da App Store da Apple na passada segunda-feira à noite foi motivada por um esquema de extorsão dirigido a comunidades da plataforma. A confirmação surge do próprio fundador da aplicação, Pavel Durov, numa publicação na rede social X, onde explica que atacantes utilizaram truques técnicos para manipular a decisão da empresa de Cupertino.
Como funcionou o esquema de chantagem
Segundo Durov, os extorquistas exigem dinheiro a administradores de grupos públicos sob a ameaça de visarem as suas comunidades. Quando o pagamento é recusado, os atacantes utilizam contas automatizadas para introduzir conteúdos ilícitos e pornografia alterada por IA.
Para contornar as ferramentas de moderação do Telegram, a tática passou por editar uma mensagem antiga num chat público ativo, inserindo material ilegal de forma retroativa. Esta alteração ocultou o conteúdo aos restantes membros do grupo, impedindo que fosse visto ou denunciado internamente. De seguida, os chantagistas denunciaram a publicação diretamente à Apple, desencadeando a suspensão temporária da aplicação na loja oficial, uma situação resolvida poucas horas depois.
Alerta para um risco sistémico nas aplicações
Pavel Durov sublinhou que o incidente revela uma vulnerabilidade no processo de decisão da Apple, que retirou da loja uma aplicação utilizada por mais de mil milhões de pessoas sem qualquer contacto prévio. Na perspetiva do executivo, este procedimento cria um risco sistémico para qualquer serviço que albergue conteúdos gerados por utilizadores.
O fundador do Telegram alertou ainda que as táticas destes grupos continuam a evoluir, colocando em risco plataformas e comunidades em toda a internet. O caso ocorre num período em que Durov enfrenta também desafios judiciais, incluindo um mandado de captura emitido recentemente na Rússia por alegado auxílio ao terrorismo e a sua detenção em França em 2024.












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