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A Google parece ter abrandado o seu percurso no desenvolvimento direto de inteligência artificial para assumir um papel mais rentável nos bastidores tecnológicos. A estratégia passa agora por fornecer a infraestrutura necessária para que as soluções concorrentes funcionem no mercado global.

Segundo a análise divulgada pela SemiAnalysis, a tecnológica redirecionou o seu foco durante 2026, deixando a liderança dos modelos de IA para a OpenAI e a Anthropic, enquanto acelera as operações da Google Cloud e a venda das suas unidades de processamento tensorial (TPU).

O ponto alto da DeepMind aconteceu em novembro de 2025 com o lançamento do Gemini 3 Pro. Na altura, a tecnológica processava três vezes mais tokens diários face à versão 2.5 Pro. O fecho do ano marcou a superação da fasquia dos 10.000 milhões de tokens por minuto através de API, acompanhado por uma redução de 78% nos custos de operação do Gemini.

Mudanças estruturais na DeepMind

O cenário mudou em abril de 2026, quando a empresa alocou mais de metade do seu investimento em cálculo de machine learning diretamente para a Google Cloud. Este movimento foi acompanhado pela apresentação das TPU 8t, escaláveis até 9.600 TPU e com 2 PB de memória HBM, dedicadas ao treino de modelos, e das TPU 8i para inferência, com três vezes mais SRAM. Embora o processamento via API tenha subido para 16.000 milhões de tokens por minuto no primeiro trimestre (um aumento de 60%) e 22.000 milhões no segundo (crescimento de 38%), as novidades do Gemini Intelligence estagnaram.

detalhes dos testes realizados aos diferentes modelos de IA

A estrutura interna da DeepMind sofreu alterações profundas no último mês. Demis Hassabis abandonou as operações diárias, passando o controlo para Koray Kavukcuoglu. Em simultâneo, nomes de peso como Jeff Dean, Sanjay Ghemawat, Quoc Le e Oriol Vinyals deixaram a empresa para fundarem a Discovery Loop. A análise aponta para o cancelamento interno do Gemini 3.5 Pro, contrariando a posição oficial de julho que dava conta de testes em curso e do arranque do pré-treino do Gemini 4.

A aposta milionária nas infraestruturas

Os resultados financeiros validam esta transição de paradigma. A Google Cloud registou um crescimento homólogo de 82% no segundo trimestre de 2026, acumulando 467.740 milhões de euros em encomendas pendentes (backlog). As estimativas indicam que mais de 20% das TPU enviadas entre o terceiro trimestre de 2026 e o final de 2027 serão vendidas diretamente à Anthropic.

No campo das receitas anuais recorrentes (ARR) para o segundo trimestre de 2026, o Gemini gerou cerca de 10.920 milhões de euros. Em contrapartida, as ferramentas de terceiros alojadas na infraestrutura da Google renderam 66.430 milhões de euros. As projeções apontam para 109.200 milhões de euros em vendas de TPU até ao final de 2027.

A venda de sistemas TPU alcançou 1.092 milhões de euros apenas no segundo trimestre, com uma valorização a rondar os 31.850 milhões de euros por GW. A gigante tecnológica soma agora mais de 136.500 milhões de euros em carteira específica e até 227.500 milhões de euros em futuras reservas, com margens EBIT situadas na faixa dos 30%. O fornecimento de hardware para o funcionamento da tecnologia aproxima a empresa da estratégia consolidada pela NVIDIA, abdicando da corrida com a OpenAI pelo modelo mais avançado em prol da liderança nos servidores.

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