
A Autoridade da Concorrência e do Mercado de Itália (AGCM) lançou duas investigações distintas contra a Activision Blizzard, estúdio que é atualmente propriedade da Microsoft. No centro da polémica estão dois dos títulos "free-to-play" mais populares da empresa: Diablo Immortal e Call of Duty: Mobile. As autoridades alegam que estes jogos recorrem a práticas enganosas e agressivas para incentivar os jogadores a gastar dinheiro.
Interfaces desenhadas para confundir e pressionar
Segundo os reguladores italianos, ambos os títulos utilizam um design de interface de utilizador enganoso, criado especificamente para encorajar sessões de jogo mais longas e frequentes, ao mesmo tempo que bombardeiam os utilizadores com oportunidades de despesa. A AGCM aponta para a existência de mensagens dentro da aplicação e notificações push que alertam insistentemente para a compra de itens limitados ou recompensas que podem expirar, atingindo os jogadores mesmo quando não estão a jogar.
Outro ponto crítico levantado pela investigação, conforme detalhado no comunicado da AGCM, prende-se com a utilização de moedas virtuais. A autoridade considera que o sistema de pacotes de moeda de jogo dificulta a perceção do custo real dos itens, impedindo que os consumidores compreendam quanto estão efetivamente a gastar em euros. Esta prática é comum em títulos mobile, mas está agora sob escrutínio apertado por potencialmente violar os direitos dos consumidores.
Controlos parentais e direitos dos consumidores em risco
A investigação estende-se também às definições de controlo parental, que a autoridade considera serem demasiado permissivas por defeito. A AGCM critica o facto de as configurações iniciais permitirem compras dentro do jogo e tempo de utilização ilimitado sem barreiras suficientes, o que pode expor menores a gastos excessivos não autorizados.
Além disso, o regulador está a analisar se a Activision Blizzard está a encorajar os jogadores a renunciarem, sem conhecimento, a direitos contratuais fundamentais, como o direito de arrependimento de 14 dias previsto na lei da União Europeia. Ao contrário de jogos pagos tradicionais, como o Diablo IV, estes sistemas "free-to-play" podem esbater a linha entre a progressão natural e o modelo "pay-to-win", onde o investimento financeiro se torna quase obrigatório para competir. O caso destaca a crescente atenção das autoridades europeias sobre as táticas de monetização agressiva na indústria dos videojogos, especialmente em franchises de grande dimensão como Call of Duty.