
O ano de 2026 arrancou com sinais mistos para a indústria automóvel no Reino Unido. Se, por um lado, o mercado geral mostrou vitalidade com o melhor desempenho para um mês de janeiro desde antes da pandemia, por outro, os veículos puramente elétricos sofreram uma travagem inesperada na sua quota de mercado.
No total, as matrículas de novos veículos subiram 3,4% em comparação com o ano anterior, atingindo as 144.127 unidades, segundo os novos dados publicados pela SMMT. Este crescimento marca o início de ano mais forte desde 2020, sinalizando uma recuperação contínua do setor após anos desafiantes. No entanto, nem todas as motorizações acompanharam este ritmo de aceleração.
Híbridos brilham enquanto elétricos estagnam
O dado que está a gerar mais preocupação prende-se com os veículos elétricos a bateria (BEV). As matrículas deste segmento cresceram apenas uns marginais 0,1%, totalizando 29.654 unidades. Este estagnar resultou numa quota de mercado de apenas 20,6%, o valor mensal mais baixo registado desde abril de 2025.
A SMMT justifica este abrandamento com dois fatores principais: uma comparação difícil com janeiro de 2025, altura em que a procura disparou antes da introdução de novas medidas fiscais em abril desse ano, e o facto de os fabricantes terem forçado as entregas de elétricos no final de 2025 para cumprirem objetivos regulatórios, esvaziando ligeiramente a procura no início deste ano.
Em contrapartida, os híbridos plug-in (PHEV) foram as estrelas do mês, registando um crescimento impressionante de 47,3% e garantindo uma fatia de 12,9% do mercado. Os híbridos convencionais (HEV) também mantiveram a tendência positiva, com uma subida de 4,8%.

Metas de 2026 em risco
Olhando para o resto do ano, a previsão atualizada da SMMT aponta para que o mercado atinja os 2,048 milhões de unidades, um aumento de 1,4% face a 2025. Espera-se que os elétricos recuperem terreno, impulsionados por uma maior disponibilidade de modelos, melhor autonomia e a reintrodução de apoios governamentais através do "Electric Car Grant".
Apesar destas previsões otimistas, estima-se que a quota de mercado dos BEV se fique pelos 28,5% no final do ano. Este valor, embora represente um crescimento, ficaria aquém da meta de 33% exigida pelo mandato governamental para 2026. Mike Hawes, diretor executivo da SMMT, mantém-se cautelosamente positivo, afirmando que, apesar da queda na quota de vendas de elétricos em janeiro, "os sinais apontam para o crescimento até ao final do ano", embora admita que a transição "está certamente atrás das metas obrigatórias".