
A corrida tecnológica não espera por ninguém e Portugal parece estar decidido a acelerar o passo. A nova Agenda Nacional de IA, publicada esta quinta-feira em Diário da República, revela um plano ambicioso que envolve um investimento superior a 400 milhões de euros para colocar o país na vanguarda da revolução digital. Com 32 medidas concretas, o objetivo é claro: impulsionar a economia em cerca de 2,7 pontos percentuais e modernizar tanto o tecido empresarial como a Administração Pública.
Segundo informações detalhadas pelo ECO, este plano foi desenhado para responder a um cenário de rápida automação e adoção de IA generativa, focando-se em três pilares essenciais: talento, empresas e infraestrutura.
Caça ao talento: Vistos acelerados e doutoramentos apoiados
Não basta ter computadores potentes se não houver quem saiba programar o futuro. Uma das medidas mais sonantes é a criação de um regime de vistos acelerados ("fast track") destinado especificamente a investigadores e profissionais altamente qualificados na área da Inteligência Artificial. Prevista para arrancar no segundo semestre deste ano, esta iniciativa envolverá a AIMA e pretende colmatar a falta de talento nacional em áreas críticas.
Além de atrair cérebros de fora, o plano quer cultivar os de cá. O Governo vai introduzir suplementos financeiros para doutoramentos e projetos de investigação que cruzem a engenharia com as ciências sociais e humanas. A ideia é formar especialistas que compreendam não só o código, mas também a ética, a filosofia da tecnologia e o impacto da IA no trabalho.
Para garantir que ninguém fica de fora, será criada uma plataforma nacional para ligar estudantes e investigadores a empresas e organismos públicos que precisem desesperadamente destas competências. E para inspirar as novas gerações, preparem-se para a Semana Nacional da Inteligência Artificial, que deverá percorrer o país a partir do final de 2026 com demonstrações e eventos educativos.
Facilitar a vida às PME e o futuro do Amália
Se para as grandes tecnológicas a IA é o pão nosso de cada dia, para as Pequenas e Médias Empresas (PME) pode ser um bicho de sete cabeças. Para resolver isto, será lançado um "marketplace" de soluções certificadas "low-code" ou "no-code". O objetivo é permitir que qualquer empresa, independentemente do seu nível técnico, possa integrar ferramentas de IA de forma simples e segura.
As startups também não foram esquecidas, com um programa de aceleração especializado previsto para o primeiro semestre de 2027, focado em soluções éticas e transparentes.
No campo dos modelos de linguagem, o projeto Amália — o LLM português financiado pelo PRR — vai continuar a ser uma aposta. O documento oficial, que pode ser consultado no Diário da República, confirma a continuidade do projeto, com planos para alargar a sua utilização a novos casos de uso e explorar parcerias que garantam a sua relevância futura, depois de alguma incerteza sobre a sua disponibilização pública.
Uma "Gigafábrica" em Sines e a modernização do Estado
Talvez a medida mais ambiciosa, mas também a mais dependente de fatores externos, seja a instalação de uma "gigafábrica de IA" em Sines. Este mega-projeto de infraestrutura de computação depende ainda de uma candidatura a fundos europeus, mas demonstra a vontade de colocar Portugal no mapa do processamento de dados de alto desempenho.
Paralelamente, o Estado quer dar o exemplo. Com um orçamento de 25 milhões de euros dedicado à Administração Pública, será criado um Centro de Excelência em IA já no primeiro semestre de 2026. A missão é testar e escalar soluções que melhorem os serviços públicos, especialmente na saúde, justiça e defesa. Para estimular a inovação interna, os funcionários públicos serão convidados a apresentar ideias em concursos anuais, numa tentativa de combater a aversão ao risco e modernizar a máquina estatal.










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