
A gigante chinesa CATL está a dar passos firmes na corrida pelas baterias de estado sólido. Recentemente, a empresa obteve uma nova patente e garantiu um fornecimento massivo de folha de cobre, sinais claros de que o desenvolvimento de protótipos baseados em sulfeto está a avançar a bom ritmo. Segundo avançou o portal CarNewsChina, espera-se que estas novas células atinjam uma densidade energética impressionante de 500 Wh/kg.
A documentação, publicada pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO) a 5 de março de 2026, detalha como a CATL pretende resolver a instabilidade crónica dos eletrólitos de sulfeto. A solução passa pela utilização de sais de lítio com flúor, que criam uma camada protetora no ânodo da bateria, aumentando a estabilidade térmica e a segurança do conjunto.
O caminho para a produção e os desafios técnicos
Embora o laboratório seja o ponto de partida, o objetivo da CATL é chegar às estradas. Atualmente, a tecnológica encontra-se no nível 4 de maturidade tecnológica, mas planeia atingir os níveis 7 ou 8 já em 2027. Na prática, isto significa passar de protótipos experimentais para células prontas a serem integradas em veículos de teste. Para suportar este crescimento, a empresa reservou mais de 600 mil toneladas de folha de cobre até 2028, num negócio avaliado em cerca de 8,4 mil milhões de euros.
Contudo, nem tudo são facilidades. A própria CATL admitiu, em finais de 2025, que apesar de os desafios científicos estarem maioritariamente ultrapassados, os obstáculos técnicos e financeiros persistem. Atualmente, produzir uma bateria de sulfeto de estado sólido custa entre três a cinco vezes mais do que as convencionais baterias de ião de lítio, o que pode atrasar a integração desta tecnologia em larga escala.
Uma aliança de gigantes para controlar o mercado
A China não quer perder a liderança mundial neste setor e, por isso, o governo impulsionou a criação da CASIP (Plataforma de Inovação Colaborativa de Baterias de Estado Sólido da China). Esta aliança estratégica junta a CATL a outros nomes de peso como a BYD e a Nio.
O consórcio, que inclui ainda fundos estatais e instituições académicas, foca-se na investigação fundamental e na criação de uma cadeia de abastecimento robusta até 2030. É uma demonstração de força que coloca concorrentes diretos a trabalhar em conjunto para garantir que a próxima geração de veículos elétricos continue a ser dominada por tecnologia chinesa. Com o anúncio de normas técnicas nacionais previsto para julho deste ano, o país parece determinado a definir as regras do setor a nível global.












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