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bandeira da união europeia em nota de euro

As preocupações de segurança nacional que levaram os Estados Unidos a impor sanções severas contra empresas tecnológicas chinesas deixaram de ser um fenómeno isolado. A União Europeia decidiu endurecer a sua postura e está a preparar-se para transformar as recomendações de segurança em obrigações legais, visando a eliminação gradual de fornecedores como a Huawei e a ZTE das redes de telecomunicações do velho continente.

Durante anos, a gigante chinesa foi uma das principais fornecedoras de infraestruturas de rede na Europa, mantendo uma posição dominante em antenas, routers e switches, mesmo após o declínio da sua divisão de smartphones devido às restrições norte-americanas. No entanto, o cenário está prestes a mudar radicalmente com a nova política de Bruxelas.

De recomendações a obrigações legais

Até ao momento, as diretrizes da UE sobre a exclusão de fornecedores de alto risco eram de adoção voluntária, permitindo que cada estado-membro decidisse o nível de restrição a aplicar. Esta abordagem resultou numa aplicação desigual, com países como a Espanha a mostrarem-se inicialmente reticentes em banir equipamentos que constituíam a espinha dorsal das suas redes.

A nova proposta da Comissão Europeia pretende acabar com esta fragmentação, tornando obrigatória a substituição de equipamentos de fornecedores chineses. A medida não se limita apenas às redes 5G ou telecomunicações; o âmbito alarga-se a outras infraestruturas críticas, incluindo sistemas de energia solar e scanners de segurança, onde a presença de tecnologia chinesa é considerada um risco potencial para a soberania e segurança de dados dos cidadãos europeus.

Soberania digital e independência

Esta movimentação estratégica de Bruxelas tem um duplo objetivo. Além de mitigar os riscos de espionagem e controlo de dados por parte de potências estrangeiras, a UE procura afirmar a sua autonomia tecnológica. A estratégia passa por reduzir a dependência não apenas da China, mas também das grandes tecnológicas norte-americanas, fomentando um ecossistema europeu mais robusto.

As grandes empresas já começaram a adaptar-se a esta nova realidade regulatória. Um exemplo claro desta tendência é o facto de a Amazon AWS ter lançado a sua Nuvem Soberana Europeia, uma infraestrutura desenhada especificamente para garantir que os dados permanecem em solo europeu e cumprem rigorosamente as normas da UE.

Segundo avança a Reuters, a apresentação formal destas novas medidas deverá ocorrer na próxima terça-feira, marcando o início de um processo de limpeza das redes europeias que obrigará as operadoras e governos a repensar as suas cadeias de fornecimento para os próximos anos.

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