
O primeiro fim de semana após a conclusão da venda da operação norte-americana do TikTok não correu exatamente como planeado. A plataforma enfrentou problemas generalizados que afetaram utilizadores não apenas nos Estados Unidos, mas com relatos de falhas a estenderem-se a nível global. Até ao momento, a empresa ainda não confirmou oficialmente a origem das perturbações, o que deixou a comunidade a especular sobre a verdadeira extensão dos danos.
Os problemas começaram a ser notados com maior intensidade nas primeiras horas da manhã de domingo, segundo os registos do DownDetector, mas a instabilidade persistiu durante todo o dia. Vários utilizadores confirmaram dificuldades severas: desde a impossibilidade de fazer login até à incapacidade total de carregar novos vídeos.
Falhas de upload e algoritmo "amnésico"
Para muitos criadores de conteúdo, a frustração foi palpável. Os vídeos carregados ficavam num estado de "sob revisão" indefinidamente, sem nunca chegarem a ser publicados no perfil. Num dos casos reportados, um vídeo submetido na noite anterior continuava pendente mais de seis horas depois.
Além dos bloqueios nos uploads e falhas no carregamento de comentários, houve relatos mais preocupantes sobre o comportamento da aplicação. O famoso algoritmo do feed "Para Ti" (For You Page), que é o coração da experiência da rede social, parecia ter sofrido um reinício total para alguns utilizadores, perdendo a personalização e apresentando conteúdo genérico em vez das recomendações habituais. Esta situação foi amplamente discutida e corroborada por vários utilizadores no Reddit, onde se multiplicaram as queixas sobre o estado da aplicação.
Nova gestão e teorias sobre censura
Estas falhas surgem num momento crítico. Desde a semana passada, a operação do TikTok nos EUA está sob a alçada de um consórcio de investimento que inclui a gigante Oracle, uma solução encontrada para evitar o banimento da app no país. Esta mudança de mãos já resultou na imposição de novos termos de serviço para os utilizadores norte-americanos, que incluem uma recolha mais precisa de dados de localização e detalhes sobre as interações dos utilizadores com sistemas de IA.
A coincidência temporal entre os erros técnicos e o fim de semana de protestos anti-ICE em Minneapolis — exacerbados pela morte de um residente local, Alex Pretti — levou muitos a traçar ligações imediatas. Dado que os novos proprietários da operação americana são vistos como próximos da administração Trump, e que assumiram o controlo da moderação de conteúdo, o facto de vídeos não serem publicados e de feeds anteriormente políticos se tornarem repentinamente genéricos gerou receios de censura ativa.
No entanto, a teoria de um bloqueio intencional perde força quando se observa o panorama geral. Relatos de problemas técnicos chegaram de fora dos EUA, indicando que a falha poderá estar relacionada com a migração complexa dos sistemas de backend para a nova infraestrutura, algo que, dadas as dimensões da plataforma, poderia facilmente causar ondas de choque na base de utilizadores global e afetar o processamento de dados. Até ao momento, o TikTok remeteu-se ao silêncio.












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