
A liderança da Ford nunca escondeu o seu fascínio pela evolução dos veículos elétricos chineses. O próprio CEO da marca norte-americana chegou a admitir que importou um Xiaomi SU7 para os Estados Unidos e que não queria deixar de o conduzir. Agora, essa admiração parece estar a transformar-se em estratégia de negócio, com a fabricante a explorar uma parceria profunda com um dos maiores gigantes automóveis da China.
De acordo com informações avançadas por fontes da indústria, a Ford está em conversações há vários meses com a Geely Automotive Holdings — o conglomerado proprietário de marcas como a Volvo, Zeekr, Polestar e Lotus. O objetivo passa por estabelecer uma colaboração que pode incluir desde a partilha de tecnologia até à utilização de fábricas na Europa.
Valência como porta de entrada na Europa
Um dos pontos centrais destas negociações é a possibilidade de a Geely utilizar as instalações da Ford na Europa para expandir a sua capacidade de produção global. A fábrica da Ford em Valência, Espanha, surge como a candidata mais provável para acolher esta produção conjunta.
Atualmente, a unidade de Valência é responsável pela montagem do Ford Kuga e possui uma capacidade anual para cerca de 450.000 veículos. Sendo a maior fábrica da marca fora do seu país de origem, esta infraestrutura apresenta-se como uma solução ideal para a Geely.
Para o gigante chinês, esta parceria seria estratégica para evitar as pesadas tarifas de importação impostas pela União Europeia aos veículos elétricos fabricados na China, que podem chegar aos 37,6%. Produzir em solo europeu permitiria à Geely contornar estas taxas e competir de forma mais agressiva no velho continente.
Tecnologia partilhada e a negação à Xiaomi
Além da vertente industrial, as duas empresas estarão a discutir um quadro para a partilha de tecnologias de veículos, com especial foco na condução autónoma. Executivos de topo de ambas as marcas reuniram-se no Michigan na semana passada, e uma delegação da Ford foi enviada à China esta semana para dar continuidade às negociações.
Curiosamente, a Ford fez questão de esclarecer recentemente que, apesar do gosto do seu CEO pelos carros da concorrente, não existem conversações para uma joint venture com a Xiaomi para o fabrico de elétricos. "Temos discussões com muitas empresas o tempo todo sobre uma variedade de tópicos", afirmou um porta-voz da marca, segundo reportado pela Reuters. "Às vezes materializam-se, às vezes não".
Este movimento segue uma tendência crescente de colaboração entre fabricantes ocidentais estabelecidos e novas potências chinesas, tal como já se verifica com a Volkswagen e a Xpeng, ou a Stellantis e a Leapmotor. Se o acordo avançar, poderá marcar uma nova fase na integração da indústria automóvel global, onde a tecnologia chinesa e a capacidade de produção ocidental se fundem para enfrentar os desafios do mercado elétrico.












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