
A chegada da publicidade ao ecossistema da inteligência artificial generativa tem sido um tema quente, e agora surgem os primeiros detalhes concretos sobre como isso irá funcionar na ferramenta mais popular do mercado. Uma nova descoberta nas configurações da plataforma oferece um vislumbre inédito sobre o painel de controlo de anúncios, revelando como a personalização e a privacidade serão geridas.
A novidade foi detetada pelo empreendedor Juozas Kaziukėnas, que conseguiu aceder a uma interface de definições de publicidade que, embora ainda não esteja oficialmente ativa para o público geral, mostra a estrutura que está a ser preparada. O sistema parece ter sido desenhado para dar aos utilizadores algum controlo sobre o que veem, ao mesmo tempo que tenta acalmar os receios sobre a privacidade dos dados das conversas.
O que revelam as novas definições
Segundo as imagens e informações divulgadas, o ChatGPT contará com um sistema de publicidade estruturado em separadores específicos. Um deles será dedicado ao "Histórico", onde ficarão registados os anúncios com que o utilizador interagiu recentemente. Outro separador focará nos "Interesses", compilando as preferências inferidas com base no feedback dado aos anúncios e nas interações prévias.
Para quem se preocupa com a intrusão, o painel inclui opções para ocultar ou denunciar anúncios específicos. Além disso, será possível apagar o histórico de anúncios e os interesses guardados de forma independente, sem que isso afete os restantes dados da conta ou o histórico das conversas normais com o chatbot.

Equilíbrio entre personalização e privacidade
Um dos pontos mais sensíveis nesta transição é a privacidade. A interface descoberta faz questão de sublinhar repetidamente que os anunciantes não terão acesso às conversas dos utilizadores, ao seu histórico de chat, às "memórias" guardadas pela IA, nem a detalhes pessoais ou endereços IP.
A OpenAI parece estar a apostar num modelo de "opt-in" para a personalização profunda. Os utilizadores terão acesso a um interruptor para ativar ou desativar a personalização de anúncios. Se esta opção estiver ativa, a plataforma utilizará o histórico de anúncios e os sinais de interesse para apresentar publicidade mais relevante.
No entanto, se o utilizador optar por desativar a personalização, os anúncios continuarão a ser exibidos, mas basear-se-ão apenas no contexto da conversa atual, sem recorrer a perfis de utilizador ou dados passados. Existe ainda uma menção específica à utilização da funcionalidade de "memória" e conversas passadas para afinar a publicidade, mas, mais uma vez, a empresa garante que o conteúdo do chat em si não é partilhado com as marcas.
Embora estes anúncios ainda não tenham sido lançados oficialmente, esta fuga de informação indica que a infraestrutura está pronta e que o modelo de negócio basear-se-á fortemente em sinais contextuais e no consentimento do utilizador, afastando-se do rastreamento invasivo tradicional.










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